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O futuro do trabalho será híbrido
Independente do formato escolhido e de seus manejos, certamente vingarão os modelos híbridos, aqueles mais maleáveis e adequados tanto às empresas quanto às pessoas, com flexibilidade laboral e benefícios mútuos
Com o avanço da vacinação, a volta aos escritórios já está acontecendo. Algumas um tanto aceleradas, outras mais graduais, mas a verdade é que, independentemente da velocidade, não estávamos preparados para esse retorno. Segundo dados da corretora It’sSeg, 62% das companhias pretendem voltar ainda este ano. Uma outra pesquisa, realizada pela McKinsey, complementa o cenário global e traz pistas: dos executivos entrevistados, nove em cada dez afirmaram que suas empresas serão espaços híbridos. Apesar disso, 68% deles não têm um plano de execução para fazer isso acontecer. Estamos, de novo, naquele mesmo cenário incerto – embora bem menos volátil -, de março passado.
Mal assimilamos o trabalho remoto e teremos, de novo, de reaprender a trabalhar em escritórios. Há novas tensões que precisam ser dissipadas, ajustes e alinhamentos relacionais que precisarão ser feitos. Entre os respondentes da pesquisa da Korn Ferry 58% afirmam que admitir ao chefe a preferência por continuar trabalhando de casa pode prejudicar as chances de ascensão profissional e 49% admitem que recusariam uma oferta de emprego se fossem obrigados a trabalhar presencialmente em tempo integral.
Nesse cenário, formas diferentes de trabalhar despontam como possibilidades. O remote first, marcado pelo trabalho remoto como prioridade, e o remote only, definido como único formato e aplicado principalmente por startups e pequenas empresas, são alguns dos exemplos. Saber exatamente qual funcionará para suas equipes é a descoberta da mina de ouro.
A era dos “sem mesa” vem aí
Híbrido e enxuto. Eis o futuro que se inicia a partir de agora. A redução já começa pelo número de escritórios. Não são raros os casos de grandes empresas que entregaram parte de suas sedes e concentraram suas operações. Já entre as de médio ou pequeno porte, o movimento é, muitas vezes, rumo ao coworking.
Entre as organizações que voltam aos endereços corporativos, há mudanças na logística. Saem as famosas estações fixas de trabalho e entram os espaços compartilhados. Aquela mesa para chamar de sua? Provavelmente não estará mais lá. Muitas empresas estão optando pela rotatividade de equipes, com agendamento prévio e, consequentemente, revezamento das famosas baias.
Uso de máscara, espaçamento entre os postos de trabalho e a própria flexibilização de horários serão imprescindíveis para garantir segurança física (e emocional) dentro dos escritórios. Caberá aos gestores entender, junto com suas equipes, qual a melhor forma de atuar presencialmente daqui para frente.
Um exemplo desse movimento é a C&A. Se antes da pandemia o escritório central da empresa era ocupado por 1.500 funcionários, hoje, a capacidade máxima permitida é de 700 funcionários – embora, atualmente, apenas 350 estações de trabalho estejam liberadas, garantindo maior distanciamento social. As mesas são rotativas e os funcionários devem reservá-las via agendamento por aplicativo. Por fim, os protocolos básicos: álcool em gel disponibilizado nos ambientes, tapete sanitizante na entrada e padrão hospitalar de higienização dos banheiros.
Independente do formato escolhido e de seus manejos, certamente vingarão os modelos híbridos, aqueles mais maleáveis e adequados tanto às empresas quanto às pessoas, com flexibilidade laboral e benefícios mútuos. E, por aqui, o Brasil parece já ter entendido essa ideia. Segundo a corretora It’sSeg, 82% dos empresários ouvidos em pesquisa afirmaram que seus funcionários irão trabalhar de forma híbrida, enquanto 16% voltarão totalmente presencial e 2% permanecerão totalmente em home office.
Por fim, mas não menos importante, fica outra lição do isolamento: precisaremos prezar pela saúde mental dos nossos times. A pesquisa “Saúde em Foco: como estão os trabalhadores brasileiros em época de pandemia?”, feita pela Vittude e pelo Opinion Box, revelou que 47% das companhias não adotaram nenhum procedimento de cuidado à saúde mental durante a pandemia. O dado tem impacto para empregadores e empregados, uma vez que as pessoas podem vir a retornar aos seus postos físicos mais estressados, ansiosos, desanimados e cansados.
É preciso que líderes, gestores e CEOs considerem essa preocupação ao planejarem o retorno aos escritórios. Olhar para a saúde mental de nossos funcionários é uma aposta ganha-ganha: quanto mais seguros, acolhidos e amparados estiverem nossas equipes, mais integradas, criativas e produtivas serão.
As culturas organizacionais foram submetidas, em março do ano passado, a uma mudança brusca e aquelas que conseguiram cruzar a tempestade se adaptaram, na medida do possível. Agora, com os pés fincados em um chão mais firme, é hora de reavaliar rotas antigas e traçar novos mapas. Se o objetivo final é manter o engajamento dos funcionários, presencial ou remotamente, só haverá uma direção: preservar o bem-estar na gestão do capital humano. E o modelo de trabalho híbrido, mais flexível e adaptado aos anseios dos profissionais, é uma excelente oportunidade de fazer isso acontecer.
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