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Comerciante já pode receber pagamento via WhatsApp
Usuários brasileiros são os primeiros habilitados a transferirem dinheiro e fazer pagamento dentro do WhatsApp Pay. Comerciantes pagarão taxa fixa de R$ 3,99 por transação
A "guerra das maquininhas" finalmente chegou ao fim? Após uma longa espera, o WhatsApp anunciou, nesta segunda-feira (15/06), que o Brasil é o primeiro país habilitado a fazer transações financeiras na plataforma, ao permitir que usuários transfiram dinheiro ou paguem por produtos e serviços.
A boa notícia também atinge os comerciantes que utilizam a ferramenta WhatsApp Business, e intensificaram o uso da plataforma para manter os negócios durante a quarentena provocada pela pandemia de covid-19.
Para a operação com o WhatsApp Pay será preciso cadastrar um cartão com a função débito para fazer as transferências, que poderão ser usadas para pagamento à distância.
Inicialmente, será possível usar cartões de débito ou crédito do BB, Nubank e Sicredi nas redes Visa e Mastercard em parceria com a Cielo, que detém mais de 50% do processamento de pagamentos no país.
Pessoas físicas poderão enviar dinheiro e fazer compras no WhatsApp gratuitamente. Já as empresas pagarão uma taxa de processamento de R$ 3,99 por transação, semelhante ao que já fazem para receber os pagamentos de clientes em operações com cartão de crédito.
O recurso de pagamentos no WhatsApp será disponibilizado gradualmente a partir desta segunda. Em breve, de acordo com a companhia, todos os usuários poderão utilizá-lo. As transações somente podem ser feitas em real e dentro do Brasil. Há um limite de R$ 1 mil reais em até 20 transações mensais, e de R$ 5 mil por mês.
“Pequenas empresas são fundamentais para o país. A capacidade de realizar vendas com facilidade no WhatsApp ajudará os empresários a se adaptarem à economia digital, além de apoiar o crescimento e a recuperação financeira”, disse Matt Idema, diretor de operações do WhatsApp, em nota.
De acordo com Cristina Souza, CEO da GS&Libbra que recentemente conduziu um estudo sobre meios de pagamento, a novidade traz luz sobre duas coisas: a venda sem dinheiro físico é uma tendência que cada vez mais vira realidade. E com o 'novo normal' pós-pandemia, é uma forma de evitar contaminação.
Com uma população ainda bastante desbancarizada, o WhatsApp Pay também deve ajudar a acelerar esse processo - assim como o PIX, previsto pelo governo federal, segundo a especialista.

NOVO RECURSO PROMETE FACILITAR ENVIO E RECEBIMENTO DE DINHEIRO
Mas deve dar um empurrão extra nos pequenos negócios, diz Cristina, citando exemplos da China como o Alipay e o Alichat, que comprovam que os pequenos conseguem sobreviver com ajuda dessas funcionalidades.
"No Brasil, ainda existe muita resistência, mas se esse empreendedor usa o Whatsapp no seu dia a dia, a combinação dos dois (app de mensagens com meio de pagamento) será extremamente positiva", destaca.
COMO FUNCIONA? É SEGURO?
De acordo com a plataforma, as transferências de pessoa para pessoa podem ser feitas com cartões de débito ou combo suportados, mas não com cartões de crédito.
O consumidor precisa configurar um cartão parceiro pelo Facebook Pay para realizar pagamentos e transferências pelo WhatsApp. Já no WhatsApp Business, o comerciante deve habilitar a opção de "receber".
O aplicativo voltado para negócios não possui limite de transações para o comerciante receber pagamentos por vendas de produtos ou serviços.
Ao vincular uma conta Cielo existente ou criar uma nova e habilitar o Facebook Pay, as pequenas e médias empresas que usam o WhatsApp Business podem solicitar e receber pagamentos ilimitados de crédito ou débito, oferecer reembolsos e obter suporte 24 horas, pagando uma taxa fixa de 3,99% por transação.
O WhatsApp Pay também garantiu a segurança da operação, apesar de não utilizar criptografia de ponta-a-ponta já que os bancos precisam receber dados de cada pagamento individualmente.
Porém, a plataforma diz possuir um sistema avançado de armazenamento de dados e a criptografia que coleta os números dos cartões em uma rede separada e segura.
Os usuários recebem um código de confirmação do Whats, o PIN do Facebook Pay e o código de verificação. Para utilizar o recurso de forma segura, recomenda-se não compartilhar as informações com ninguém.
Mas, quando uma ferramenta é quase unanimidade entre usuários (e consumidores) entra na briga do mercado de meios de pagamento, como ficam os demais players? Será mesmo o fim da "guerra das maquininhas", ou seja, das credenciadoras?
Segundo Cristina Souza, da GS&Libbra, com a parceria entre a Cielo e o Facebook (a dona do Whatsapp), talvez os bancos sejam os que mais se incomodem com a perda de receitas e a concorrência de outros setores.
"Se de um lado as carteiras digitais oferecem produtos e serviços a custos bem menores, varejistas como o Magazine Luiza, Americanas e Pernambucanas, que têm um relacionamento mais próximo com o consumidor, também já oferecem suas próprias soluções", destaca. "Até o O Boticário afirmou estar pronto para isso."
Ao ser perguntada se dá para competir com o Whatsapp, Cristina afirma que a novidade é "extremamente preocupante", mas no sentido positivo: além do potencial processo de transformação, o que vai validar essa experiência é a qualidade da prestação de serviços, e como ela deve impactar na adesão das pessoas.
"Sejam bancos, varejistas, outras credenciadoras, o Whatsapp ou o Facebook Pay, cada um vai ter que brigar e oferecer um diferencial para ter você como cliente", sinaliza.
Antes de chegar ao Brasil, onde foi oficializado o serviço, o WhatsApp Pay foi testado em larga escala na Índia. A companhia pretende expandir os pagamentos para outros países nos próximos meses.
Para mais informações, acesse www.whatsapp.com/payments/br
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