A iniciativa busca ampliar a segurança jurídica e alinhar a regulamentação brasileira às melhores práticas internacionais no enfrentamento da erosão da base tributária
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Entenda como o corte da Selic pode afetar os seus investimentos
O Copom vai reduzir a Selic nesta quarta-feira (5/1) de 4,5% para 4,25%
Ao contrário da maior parte do mercado financeiro, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não deveria reduzir a taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira (5). A Anefac acha que, como o surto de coronavírus tem desacelerado a economia mundial, seria prudente ter mais cautela neste momento. Porém, sabe que de fato há uma tendência para que o Copom reduza a Selic de 4,5% para 4,25%, já que a estimativa da inflação está abaixo da meta e a economia brasileira ainda demora a se recuperar. Por isso, a Anefac fez uma análise do impacto que essa possível nova taxa de juros pode ter nos investimentos e no crédito da população. Confira:
Investimentos
Um novo corte da Selic vai reduzir o rendimento das fontes de aplicação preferidas dos brasileiros: a poupança e os títulos de renda variável como o Tesouro Direto. Por isso, os analistas dizem que, com os juros nesse patamar, pode ser preferível assumir um pouco mais de risco e apostar em títulos de renda variável.
Segundo a Anefac, caso a Selic chegue aos 4,25%, o rendimento da poupança vai passar dos atuais 3,15% para 2,98% ao ano, já que a caderneta rende 70% da Selic mais a taxa referencial da poupança. Seria, portanto, um rendimento inferior à inflação prevista para este ano, que é de 3,4%.
Da mesma forma, os investimentos que são atrelados aos juros, como os títulos de renda fixa, o Tesouro Direto e o CDB (Certificado de Depósito Bancário), devem ter seus rendimentos achatados. Por isso, se a ideia for investir na renda fixa, a recomendação é procurar um título com uma taxa de administração de até 1%. Quando a taxa é de 0,5%, por exemplo, os fundos de investimento de renda fixa podem ter um rendimento de 3,29% ao ano - rendimento que oferece um pouco mais que a poupança, mas ainda é inferior à inflação -, segundo a Anefac.
Quem quer ver o seu dinheiro rendendo mais pode ter, então, que ir para os títulos de renda variável. Isto é, para as ações listadas na Bolsa de Valores e os fundos imobiliários. Afinal, as projeções do mercado financeiro indicam que o Copom vai reduzir a Selic nesta quarta-feira, mas deve manter a taxa de 4,25% até pelo menos o final do ano.
"O BC vem seguindo essa linha de redução dos juros, dado que a economia está trabalhando muito devagar. E, nesse cenário de juros baixos, quem tende a se valorizar são as ações e os fundos imobiliários", explicou o economista da BlueMetrix Ativos, Renan Silva.
Ele diz até que é por conta disso que o número de investidores pessoa física na Bolsa de Valores de São Paulo já vem crescendo. Mas admite que essa ainda é uma cultura pouco erradicada na sociedade brasileira. E, por isso, dá dicas para quem quer entrar no mundo das ações. "É importante procurar um gestor de recursos e buscar investir em ações de empresas equilibradas e sólidas, de setores mais resilientes como os de utilidade pública (energia e telefonia, por exemplo), que devem se beneficiar da recuperação econômica", orientou.
O economista da BlueMetrix lembrou também que é importante dividir os seus investimentos em mais de uma aplicação. E, na renda fixa, uma boa saída ainda pode ser o Tesouro Direto. "É um título seguro, porque está guardado no Tesouro Nacional. E você tem a vantagem de não pagar taxa de administração ao comprar um título público", afirmou.
Crédito
Apesar de a Selic ter caído de 14,25% para 4,5% ao ano ao longo dos últimos cinco anos, os juros praticados pelo mercado de crédito ainda estão muito longe desse patamar. Segundo a Anefac, hoje, a média desses juros é de 113,43% ao ano - isto é, 6,52% ao mês -, por conta do alto custo que instrumentos como o cheque especial (272,02% a.a.) cartão de crédito (265,28% a.a.) e o empréstimo pessoal (49,36% a.a.) ainda têm no Brasil.
Por conta disso, a Anefac diz que o corte de 0,25% da Selic pode até estimular a inflação e aeconomia, mas não terá um impacto tão relevante nos juros que são cobrados ao consumidor final. Segundo a Anefac, a redução da Selic deve provocar uma diminuição de até 0,42% da taxa média dos juros de mercado. Esta taxa, porém, ainda vai continuar acima dos 100%: a projeção da Anefac é de um juro médio de 112,95% ao ano - isto é, 6,5% ao mês -, com os juros do cheque especial e do cartão de crédito ainda acima dos 200%.
"Há um descolamento muito grande da Selic das taxas de mercado. E tirar 0,25 ponto percentual de um juro de mais de 100% é muito pouco. Então, os juros devem seguir elevados", afirmou o diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, que credita esse descolamento ao fato de a economia brasileira estar se recuperando a passos lentos. "Os bancos mantêm o spread alto por conta do risco. Por isso, dependemos de crescimento mais consistente para mudar isso", afirmou.
Diante disso, ainda recomenda-se cautela para quem quer fazer uma compra ou um investimento de médio ou longo prazo. Segundo a Anefac, usar o crédito rotativo do cartão de crédito por um período de um mês, por exemplo, ainda terá um custo de R$ 341,40 com a Selic em 4,25% - só R$ 0,60 menos do que se paga com a Selic de 4,5%. Já uma compra de R$ 1,5 mil pode ter juros de R$ 508 - R$ 2,20 menos - se for for parcelada nos carnês de loja. No caso de um empréstimo pessoal de R$ 5 mil, dividido em um período de 12 meses no banco, o custo pode chegar a R$ 1.165 - redução de R$ 7,28. E o financiamento de um carro de R$ 40 mil em 60 parcelas pode ser afetado por um juro mensal de 1,44%, que no final vai custar R$ 20 mil - R$ 300 a menos do que se paga hoje.
Da mesma forma, os juros que incidem sobre as pessoas jurídicas ficarão só um pouco menores com o corte da Selic. Nesse caso, a taxa média deve passar de 45,65% ao ano (3,18% ao mês) para 45,31% ao ano (3,16% ao mês), segundo a Anefac. É uma redução de 0,74% que vai enxugar em R$ 30 o custo de um capital de giro de R$ 50 mil que vence em um prazo de 90 dias e, hoje, custa R$ 1.944.
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