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O líder disruptivo: por que ele é essencial para as empresas
Se tudo muda o tempo inteiro, os líderes podem permanecer os mesmos de sempre?
Nos círculos de debates sobre gestão, ao longo dos últimos anos, o termo VUCA se tornou uma palavra-chave para descrever um panorama de negócios que é volátil, imprevisível, complexo e ambíguo.
Agora, muitos começam a questionar esse quadro: ele realmente existe ou os líderes o criaram para colocar a culpa no incontrolável destino em vez de assumir a responsabilidade por suas falhas?
Dito isso, sabemos que um simples tweet pode abalar as fundações de Wall Street e até mais, portanto é provavelmente justo admitir que estamos operando em um mundo onde há muito que ignoramos e não podemos controlar — um mundo onde, por exemplo, a disrupção pode vir de empresas de tecnologia, e não dos competidores tradicionais.
Se uma posição dominante não é mais garantia de sucesso sustentável, se a nova geração de talentos tem diferentes expectativas antes de se engajar, se o cliente tem mais poder do que nunca, se tudo muda o tempo inteiro, os líderes podem permanecer os mesmos de sempre, operando em um ambiente dessa natureza apenas aplicando métodos como scrum ou ágil? Ou precisamos de um novo tipo de líder?
Uma coisa é certa: as empresas precisam estar prontas para a disrupção se quiserem sobreviver, portanto elas precisam de líderes disruptivos. Mas como eles são?
Líderes disruptivos são sensores de ponta
Eles são especialistas em leitura da conjuntura e sabem que apenas observar o panorama competitivo não é, de maneira alguma, suficiente. Tudo está inter-relacionado. Eles leem três camadas do cenário ao mesmo tempo e entendem como influenciar os outros.

Camada sensitiva 1: o sistema
No modelo, a camada sistêmica de uma companhia é composta por objetivos institucionais, métricas associadas (por exemplo, balanced scorecard), riscos e estratégia.
Eis um exemplo: no contexto da indústria automotiva, novas gerações não necessariamente precisam ter um carro próprio; veículos autônomos estão em fase de testes; os congestionamentos e a poluição nas cidades estão atingindo níveis recordes, o que demanda novas regulações, etc. Nessa situação, um fabricante de carros poderia definir como objetivo "ser o número 1 do mercado em carros vendidos"?
Algumas empresas tradicionais começaram a ampliar o escopo, ao menos no papel, reposicionando-se em torno de soluções de mobilidade. Que tipo de indicadores de performance poderiam ilustrar essa mudança? Os riscos são os mesmos de antes? E o mapa estratégico? Líderes disruptivos sentem mudanças no contexto e mantêm as consequências sob controle na camada sistêmica da companhia.

Camada sensitiva 2: as pessoas
Inteligência artificial, robótica e outras tecnologias estão mudando o ambiente de trabalho, gerando impactos diretos e indiretos. O principal depósito da Amazon na Espanha recentemente ficou sem funcionar pro conta de um conflito que durou meses a respeito de esquemas de remuneração, o que levou a greves parciais.
Por trás disso, e por trás dos protestos dos coletes amarelos na França, está o aumento da desigualdade. É bom que as empresas adotem robôs e inteligência artificial para suas operações, mas mas se os caminhões não saírem dos depósitos...
Notamos um impacto direto na guerra por talentos na tecnologia. O líder disruptivo sabe que a nova geração procura por propósito e pela evidência de que as companhias nas quais eles vão trabalhar não apenas são conscientes em relação à sustentabilidade, mas também responsáveis em suas ações concretas. Por exemplo, o líder disruptivo poderia investir em treinamentos para preparar as pessoas para novos postos de trabalho antes que suas atividades desapareçam.
Operacionalmente, o líder disruptivo entende que a estrutura de uma companhia é formada por equipes. Elas estão em todo lugar — um conselho de administração é uma equipe, o comitê executivo, as equipes de gestão funcional, as equipes interdisciplinares, forças-tarefa, capítulos, tribos e esquadrões. Todas essas estruturas são equipes.
Portanto, o líder dá uma atenção particular em sentir como essas pequenas estruturas estão funcionando em termos de coerência no senso de propósito, integração entre os membros, habilidades de inovação e desenvolvimento de conhecimento, o domínio completo do ecossistema no qual eles evoluem e um profundo entendimento uns dos outros.
Equipes são bastante sensíveis às mudanças na liderança, às mudanças na diretoria, ao ambiente de trabalho, reorganizações, gargalos reputacionais e crises e geral. Essas alterações no contexto podem causar um desequilíbrio em uma ou mais das dimensões citadas acima. O líder disruptivo sente constantemente a dinâmica da equipe.
Camada sensitiva 3: as três conexões internas
Quando a adversidade chega, os líderes podem ser rapidamente isolados. Para permanecerem focados, líderes disruptivos precisam ter um preparo de um atleta antes da corrida. Isso também inclui treinamentos físicos, é claro, mas não apenas pelo exercício em si.
O treino físico, assim como a prática de ioga, de um instrumento musical, cantar ou fazer outras atividades paralelas ajudam os líderes a aprimorarem suas primeiras conexões, aquela que liga o seu corpo às suas emoções — em outras palavras, o presente momento.
A segunda conexão é à sua experiência e capacidade de antecipação — passada e futura. O eixo que garante a resolução dos problemas, em poucas palavras, é a mente. A terceira conexão é ao seu propósito de vida.
Para os líderes, a segunda conexão, a mente, é natural — caminhando até o passado para reviver aprendizados e olhando para o futuro para planejar o cenário. O perigo vem quando essa conexão aniquila as outras. É uma porta aberta para o burnout ou para a transformação em um líder tóxico para os outros. Portanto, líderes disruptivos permanecem hiper-alertas a qualquer desequilíbrio em qualquer uma das três conexões.
Líderes disruptivos são mestres em criar acelerações informadas
Quando algo se resume a aproveitar uma oportunidade identificada ou conduzir a companhia por uma ampla transformação como reação a uma ameaça, a velocidade logo vem à mente. Mas não há razão em ser rápido se o líder é a única pessoa dentro do trem.
É aqui que o conceito de aceleração (versus velocidade) entra: pense na troca de passes em um jogo de futebol. O passe perfeito é aquele em que a bola chega exatamente aos pés do colega de equipe; no entanto, um passe que cria aceleração faz com que o jogador corra com todas as suas forças para alcançar a bola — o que é desafiador o suficiente para acelerar a jogada, mas não tão rápido para que a bola saia pela linha de fundo. A arte é saber onde aplicar a aceleração, quando e com qual intensidade.
Conforme vimos acima, líderes disruptivos têm alta sensibilidade; eles devem usar a observação das três camadas para determinar como será a aceleração informada. Se a análise da camada das pessoas mostrar que uma transformação, primeiro, requer uma mudança cultural, então o foco da aceleração deve ser colocado ali, antes, por exemplo, de fazer a equipe de vendas correr para forçar um produto em um mercado que pode ainda não estar pronto para ele.
Em resumo, o líder disruptivo tem um objetivo e uma tática claros na hora do lançamento. Velocidade o tempo inteiro e em todo lugar pode garantir a performance no curto prazo, mas logo cria exaustão.
Líderes disruptivos são obcecados com a busca de oportunidades, independente do contexto
Eles são como boxeadores profissionais que veem cada movimento ofensivo do oponente como uma abertura.
Essa mentalidade requer coragem e consistência. Coragem porque aproveitar uma oportunidade pode ser um salto no desconhecido, como cruzar o Rubicão e fazer um movimento irrevogável. Consistência porque não se trata apenas de um ato heroico, mas de aplicar a mesma mentalidade repetidamente. É claro que o líder disruptivo não salta em águas profundas sem preparo. Novamente, lembremos que eles são sensores de ponta antes de tudo.
Mas por que tudo isso importa? Ver a mudança como uma fonte de oportunidade é provavelmente o melhor antídoto possível em um mundo muitas vezes imprevisível, mas não apenas isso. É uma questão de estabelecer um equilíbrio entre positivo e negativo, combater ameaças com medidas preventivas ou reduzindo danos (isso ainda é necessário) e aproveitando oportunidades para transformá-las em grandes inovações.
Líderes disruptivos são sensores de ponta, dominam a criação de aceleração informada e são obcecados em encontrar uma abertura a cada mudança de contexto. Mas não termina aí. Um desafio maior permanece: ser o líder da própria mente. Por que? Porque a liderança existe a cada nível da hierarquia e grandes inovações raramente vêm do topo.
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