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Como fazer para que o trabalho gere saúde?
Quem nunca sentiu ardência ou cansaço nos olhos de tanto ficar olhando para as telas dos computadores, smartphones, tablets e televisões?
Com a rotina e a correria do dia a dia, é muito comum passarmos parte do nosso tempo sentido dores ou algum tipo de desconforto. Isso acaba fazendo parte do nosso dia e nem sempre damos a atenção necessária. Quer exemplos?
Quem nunca sentiu ardência ou cansaço nos olhos de tanto ficar olhando para as telas dos computadores, smartphones, tablets e televisões?
Sentimos tensões no pescoço porque ficamos recebendo e mandando mensagens o dia inteiro com a nuca abaixada na direção do celular. Sofremos com dores na parte de cima das costas, aquela barra de tensões entre as escápulas que gostaríamos que fosse massageada toda hora. Nos queixamos de uma dor na lombar, uma ciática pelas longas horas sentados. Todos temos um sistema digestivo perturbado porque comemos qualquer coisa, de qualquer forma e a qualquer hora. E também todos nós já experimentamos uma noite de sono ruim porque o nosso cérebro não conseguia desligar das coisas para fazer no dia seguinte.
Essas dores estão intimamente ligadas à forma como trabalhamos hoje. Se trata de uma configuração que nada tem a ver com a maneira que trabalhávamos há 50 ou 5000 anos: nos tornamos sedentários. Passamos o dia todo sentados, na frente do computador ou numa sala de reunião, no metrô ou no carro. Hoje, impomos um multitasking ao nosso cérebro o dia todo, navegamos entre várias tarefas, recebemos notificações continuamente, trabalhamos em baias sendo interrompidos a toda hora. Entretanto, o nosso corpo não foi feito para isso: o nosso corpo e o nosso cérebro quase não evoluiu em 5000 anos, e continuam adaptados a uma vida ativa, caçando ou no campo.
Esse novo estilo de vida e de trabalho é responsável em grande parte, por todo esse incômodo. Ao analisarmos o efeito da digitalização e da robotização dentro das empresas, podemos observar um forte impacto na saúde dos colaboradores.
Hoje em dia, as empresas começam a se preocupar com essas questões e tem se falado muito sobre “qualidade de vida no trabalho” e “employee experience”. Essas companhias vêm buscando se estabelecer como “melhores empresas para trabalhar” e, finalmente estamos pensando no cuidado com o bem-estar dos colaboradores dessas organizações. O problema é que as ações nesse sentido ainda são implementadas de forma superficial e sem coerência estratégica no longo prazo.
1 - Mais vale prevenir do que remediar
Existe hoje um forte investimento das empresas em políticas curativas para tratamentos dos distúrbios ocupacionais, implicando em gastos cada vez maiores uma carga financeira com planos de saúde. Uma vez que são diagnosticados problemas como lombalgia e síndrome burnout, os gestores sabem exatamente como direcionar o colaborador. Porém, o que precisamos atualmente é implementar uma cultura de prevenção focada no longo prazo, envolvendo muitas vezes uma mudança profunda da cultura de gestão das organizações.
2 - Prioridade e não opção
Observamos que programas de qualidade de vida e de prevenção sempre ficam por último no planejamento das empresas que só investem nesse tipo de ação quando já têm tudo estruturado e processado, e dinheiro sobrando. Na realidade essas ações, deveriam fazer parte da base da gestão, sendo enxergadas como prioridade de forma que todo funcionário tenha a oportunidade de trabalhar sem dor e da maneira mais produtiva possível desde o primeiro dia.
3 - Uma abordagem inclusiva
Um programa bom é um programa que atende a todos. Atualmente, as ações voltadas para a saúde do colaborador muitas vezes se dirigem a pessoas que já tem uma noção de boa alimentação e pratica alguma atividade física. Porém, quem mais precisa desse tipo de iniciativa são justamente aqueles que não tem interesse e/ou tempo para o assunto.
4 - Um time e uma verba dedicados
O nosso conceito de yoga corporativo sempre gera muito entusiasmo e curiosidade, mas quando se trata de conduzir o projeto internamente, decidir quem vai arcar com esse custo e qual equipe será responsável pelo monitoramento do programa, a animação já diminui. Entretanto, os programas de qualidade de vida sempre são planos ambiciosos e complexos, e precisam ter o apoio total da liderança da organização, uma estratégia de comunicação interna efetiva e um acompanhamento sério dos retornos, tudo isso com uma verba adequada.
5 - Uma abordagem a longo prazo
Hoje, quando falamos de saúde no trabalho ou de qualidade de vida, logo se imagina uma ação pontual, e-mails, campanha, palestras. Mas para alcançar resultados tangíveis em termos de dores musculares ou nível de estresse, precisa-se de ações diárias, no longo prazo, mudando os hábitos dos colaboradores. No modelo atual, é como se alguém falando “já fiz meu treino do ano, agora estou ok até 2020”, e isso não funciona. É treinando diariamente que o investimento se torna rentável e que aparecem os benefícios do programa.
6 - Mais autonomia!
Um exemplo típico é o caso da quick massage na empresa. Mesmo sendo 15 minutos relaxantes para o colaborador, são 15 minutos onde a pessoa é passiva, ela não sai sabendo mais dos bons gestos para prevenir e aliviar as dores nas costas. Não deixa o colaborador autônomo. A saúde é um assunto que afeta todos, e se melhora através da sensibilização, aprendendo os impactos do sedentarismo, do contato diário com telas, do estresse. Precisamos dar as chaves para cada indivíduo para que ele se torne o seu primeiro médico e não seja dependente dos outros para conseguir melhorar a sua saúde e o seu bem-estar.
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