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Médias e grandes contratam startups para melhorar a gestão de conselhos
Plataformas ajudam desde o agendamento das reuniões até a segurança das informações e caem como uma luva para garantir maior assertividade no acompanhamento de decisões corporativas
Startups como Accountfy e Atlas Governance observaram uma necessidade de mercado e surgiram para auxiliar empresas e conselheiros. Desde o momento de automatizar agendamento das reuniões até ajudar membros a pesquisar decisões realizadas em reuniões antigas, como salários de diretores ou alguma outra deliberação importante.
Realizar as ações decididas nas reuniões conselhos administrativos é fundamental para o bom andamento de uma companhia. No entanto, nem sempre isso acontece. Há também o risco dos conselheiros serem responsabilizados por suas ações.
“Eles [membros] não são imunes e podem responder com seus bens ou até criminalmente por decisões tomadas”, explica o professor de estratégia do Insper Sandro Cabral.
Foi justamente para melhorar a relação entre empresas e conselheiros que surgiu a Atlas Governance. O fundador da startup, Eduardo Carone, pensou inicialmente em solucionar o seu problema, quando atuava como gestor num fundo de private equity. “Em 2015, eu estava simultaneamente no conselho de sete empresas e precisava de um software para me auxiliar ”, comentou
Com um ano de operação, a empresa paulista conta com mais de 40 clientes, sendo a maior parte de grande porte, como a varejista Riachuelo e a CVC Turismo. Para utilizar a plataforma da Atlas Governance, os clientes pagam uma anuidade de acordo com o número de usuários que a companhia vai utilizar, com valor a partir de R$ 24 mil para 25 contas disponíveis.
As companhias conseguem enviar as atas anteriormente para os conselheiros e restringir certos perfis para não ter acesso a determinados documentos. Ainda para a segurança, todas as páginas impressas vão com a marca d’água do usuário, para evitar vazamento de informações.
Investimentos
Embora a maior parte das empresas que contam com conselhos administrativos sejam as médias e grandes, principalmente as de maior porte; os especialistas veem uma grande oportunidade para as companhias menores. “Quando os investidores estrangeiros procuram empresas para investir, a primeira coisa que olham é a governança corporativa”, explica Rodrigo Fontoura, coordenador do MBA em Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios.
Segundo o professor, a governança corporativa é uma subespécie do compliance, ou seja, estar em conformidade com regras e normas de transparência. Essas práticas devem atuar em todas as áreas de uma empresa, como nas questões tributária e trabalhista.
Com atuação desde julho de 2017 e foco no setor financeiro está a Accountfy. “Geralmente um contador faz o balancete e manda para as empresas, mas nada é feito com as informações do balancete”, afirmou ao DCI Goldwasser Neto, que é CEO da startup.
A startup tem mais de 100 clientes e possibilita para essas empresas utilizar suas informações financeiras para gerar dados, assim o usuário da plataforma consegue fazer orçamentos e projeções.
“É possível simular o gasto de determinadas áreas para ver onde pode economizar ou mesmo alterar o valor do dólar para ver qual seria o impacto em suas contas”, explica Neto.
Segundo o fundador da companhia, os conselheiros conseguem criar apresentações pelo próprio software e mostrar nas reuniões.
Assim como Atlas Governance, a Accountfy também possibilita a criação de diversos perfis para limitar o acesso a determinados usuários. De acordo com o executivo, a precificação varia de acordo com o tamanho dos dados do cliente. No entanto, as mensalidades vão de R$ 1 mil a R$ 16 mil.
Oportunidade
Para o coordenador do Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity da Fundação Getúlio Vargas (FGVnest), Caio Ramalho, o diferencial dessas startups é que elas atuam com tecnologia em problemas que já são existentes no mercado.
De acordo com os especialistas, as empresas de maior porte, especialmente as que estão listadas na Bolsa, evoluíram muito nos últimos anos. Além da obrigatoriedade de contarem com um conselho administrativo, algumas possuem comitês de processos internos.
Em relação as de menor porte, o cenário é diferente. “As pequenas e médias, que são milhões no País, não contam com uma estrutura de governança corporativa”, afirma Rodrigo Fontoura, da Trevisan.
O professor HSM Educação Executiva Luis Lobão corrobora com essa visão. Segundo ele, o mercado já oferece modelos de referência e pessoas capacitadas, porém as empresas ainda não estabeleceram esse tipo de governança.
Lobão cita os conselhos consultivos como uma opção para as empresas que querem se profissionalizar nessa questão. “Ele não delibera, então o poder continua na mão dos acionistas, mas ajuda no processo de sucessão, ao passar por uma crise ou até em processos de fusão e aquisição.”
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