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Glossário do empreendedor: indicadores financeiros
O que significam e como calcular quatro indicadores que determinam o sucesso ou o fracasso de uma pequena empresa
O que motiva um empreendedor a criar uma empresa? Há muitas respostas. Pode ser desenvolver um negócio de impacto social para mudar o mundo para melhor; construir um legado ou deixar a vida de funcionário, com salário fixo e patrão, para conquistar maior liberdade.
Para além de todos esses fatores, às vezes mais emotivos do que racionais, há o interesse em ganhar dinheiro. Caso contrário, a pessoa abriria uma ONG ou faria trabalho voluntário em vez de criar um negócio.
E ganhar dinheiro com uma empresa é como realizar uma aplicação financeira. Numa lógica simplista, é necessário investir capital, escolher um bom mercado e aguardar o retorno financeiro com o passar do tempo.
No entanto, manter uma empresa demanda muito mais trabalho do que realizar um investimento em renda fixa, por exemplo. Empreender também é muito mais arriscado. Então, se é para entrar nesse jogo, o retorno precisa ser alto.
“Para o investimento se multiplicar é necessário cuidar muito bem da gestão financeira do negócio”, Marcelo Roque, CEO da Preço Certo, plataforma de gestão financeira voltada para pequenas e médias empresas.
Selecionamos quatro indicadores financeiros em que o empreendedor precisa ficar de olho. Veja o que significa e como calcular cada um deles.
MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO
O que é: variável que indica o valor que sobra da venda de um produto após descontados os custos de produção e as despesas de comercialização. Geralmente, é calculado de acordo com cada item e serve para mostrar o quanto cada produto vendido gera de lucro para a loja. Pode ser utilizada também como parâmetro para precificação. Se a margem de contribuição for muito baixa, a loja precisa ou vender muitas unidades, para lucrar pelo volume, ou reduzir os custos.
Como calcular: valor da venda do produto – (custos de produção + despesas de comercialização)
LUCRATIVIDADE
O que é: índice que toda empresa deseja aumentar. A lucratividade atesta a eficiência operacional do negócio como um todo.
De nada adianta um e-commerce faturar milhões se, por exemplo, o custo logístico e despesas de marketing causar um rombo no caixa.
Um bom caso (ou não) é a Dafiti. Fundada em 2011, o negócio só alcançou seu primeiro resultado operacional positivo em abril de 2018.
Porém, ainda não atingiu lucro devido ao fato de que o resultado não considera descontos de impostos e juros.
A empresa reportou receita líquida de venda de R$ 1,4 bilhão em 2017, um crescimento de 16,9% em relação ao ano de 2016.
Embora a estratégia da empresa seja ganhar mercado, o resultado final é a não lucratividade.
Assim, um pequeno e-commerce que fatura R$ 500 mil, e possui um total de custos fixos e variáveis de R$ 400 mil, dá mais lucro que a gigante Dafiti.
Como calcular: (Lucro Líquido / Receita Total) x 100
FLUXO DE CAIXA
O que é: basicamente, é o movimento de entrada e saída de dinheiro do caixa da empresa. Ou seja, os gastos à vista, as contas a pagar e os pagamento à vista e as contas a receber. O fluxo de caixa também contabiliza as operações que não são de vendas de mercadorias, como juros bancários, aquisições de imobilizados e rendimentos de aplicações.
O fluxo de caixa é uma importante métrica e pode ser acompanhado diária, semanal ou mensalmente. A capacidade que a empresa tem de gerar (e reter) caixa está intimamente ligada à proteção de risco de endividamento. Quando uma empresa não gera caixa e precisa recorrer a empréstimos, o risco de as contas se tornarem uma bola de neve é maior. Para se proteger de uma falência, as reserva de caixa são essenciais, ainda mais em momentos de crise ou baixas de vendas sazonais.
Como calcular: (total de entrada – total de saída no caixa) + saldo inicial do período
TIQUETE MÉDIO
O que é: indicador chave para medir o desempenho da equipe de vendas de uma loja. É o valor médio de cada compra que um cliente faz no estabelecimento. Aumentar o tíquete médio é importante porque vender mais para o mesmo cliente é mais barato do que vender pouco para vários consumidores, uma vez que o custo de aquisição do cliente impacta na lucratividade.
Há duas estratégias para aumentar o tíquete médio. A primeira é o cross-selling, que consiste em vender produtos complementares para o mesmo cliente. Por exemplo, conceder descontos em pares de meias para quem compra um sapato.
A segunda estratégia é o up-selling, que consiste em ofertar ao consumidor produtos de maior valor em relação ao item que ele está habituado a comprar (ou que tinha a intenção de comprar). É uma maneira de encorajar o cliente a gastar um pouco mais, em troca de melhor retorno de benefícios.
Como calcular: faturamento bruto/número de vendas
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