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Intraempreendedorismo: como cativar o empreendedorismo entre os colaboradores?
Há alguns anos, o bordão “vestir a camisa da empresa” se tornou popular entre profissionais de RH e, consequentemente, entre candidatos a vagas nas empresa.
Há alguns anos, o bordão “vestir a camisa da empresa” se tornou popular entre profissionais de RH e, consequentemente, entre candidatos a vagas nas empresa. Porém, apesar da frase de impacto, as coisas não funcionavam bem assim. Não havia, na maioria das empresas, uma disponibilidade real de dar liberdade aos colaboradores. Eles só podiam criar dentro dos limites pré estabelecidos, não tinham respaldo ou orçamentos para financiar ideias.
Era claramente algo dito da boca para fora. Despertar o senso de dono da empresa em um funcionário é complicado, pois demanda mudanças nas posturas dos administradores, que a maioria deles não quer realizar. É preciso ter uma mente ligada à inovação. Apesar de o termo intraempreendedorismo já existir há mais de 30 anos, foi só quando o mindset de inovação passou a ganhar espaço nas organizações, que essa prática começou a ganhar representatividade. Hoje em dia, com a inovação como chave de mudança de pensamento, empreender dentro de uma empresa, mesmo sendo apenas um dos colaboradores, se tornou realmente possível, valorizado e viável.
Essa é uma maneira saudável de reagir aos desafios cotidianos, de lidar com novos modelos de negócios, novos perfis de consumo, e acima de tudo, novos perfis de profissionais. Essa geração já não quer ter um emprego, ganhar seu salário e pronto. Ela está alinhada a posições mais participativas. O funcionário quer se identificar com o propósito das empresas, quer participar do seu crescimento, trazer ideias e crescer com ela. Muitas pessoas já iniciam suas vidas profissionais com um olhar empreendedor, buscando ir além, porém nem sempre o empreendedorismo convencional é o caminho para aquela pessoa. Isso não faz dela menos desejosa de participação.
Não importa o porte da empresa. Intraempreender não está restrito ao porte, mas ao modo como o gestor pensa. Esse comportamento do funcionário se tornou um importante recurso de competitividade. Há realmente mais cabeças pensando no bem estar e crescimento de uma empresa. Porém, assumir essa postura ainda é difícil. Muitas formações ainda são antiquadas, e muitas empresas também. É preciso um esforço consciente do profissional para adotar esse modo de trabalho. Apesar disso, essa é uma via de mão dupla, e os gestores das empresas precisam cativar e cultivar os colaboradores para que o intraempreendedorismo cresça dentro deles. É preciso mudar as culturas empresariais de dentro para fora.
O empreendedorismo pode até nascer com algumas pessoas, mas esses casos são mais raros, ele não é algo inato. Ele vem de um acúmulo de habilidades, de experiência, de abraçar oportunidades e do estímulo à visão de quem empreende. Se um funcionário tem a liberdade de empreender dentro de uma empresa já estabelecida, ele precisa aprender com isso, ter chances, poder arriscar, ter incentivos. Não falo para deixar qualquer um fazer qualquer coisa, mas é preciso trazer inovação, aprendizado, conhecimento e prática para dentro do ambiente de trabalho.
Além disso, é preciso que hajam conquistas palpáveis que mostram o crescimento do profissional, para ele mesmo e para o mercado.
Ninguém precisa jogar com o mercado, arriscar desmedidamente. Tudo deve ser pensado, mas é preciso espaço para tentar. Essa realidade ganhou grandes exemplos, e expoentes de sucesso, com startups que recentemente ganharam o mercado em diversos mercados diferentes.
Hoje, já é comum que startups nasçam dentro de empresas consolidadas, como serviços complementares, conectados e que possibilitam que um funcionário cresça além da empresa, mas junto com ela. É preciso acompanhar iniciativas de sucesso, reciclar conhecimentos e incentivar a troca de ideias. A inovação está em olhar algo cotidiano por ângulos diferentes. Basicamente, toda startup que nasceu nos últimos anos, só fez olhar para o mundo com diferentes possibilidades e um pensamento mais aberto.
O ponto é que a realização desses sonhos e ideias só foi possível por conta de equipes motivadas, que não “vestiam a camisa da empresa”, que na verdade “eram a empresa”. A grande diferença dos cenários de startups e de empresas mais antigas é justamente essa curva de aprendizado acentuada dos colaboradores, fruto do incentivo ao intrapreendedorismo.
É preciso, e possível, fomentar uma cultura, delegar mais responsabilidades e autonomia a seus colaboradores. Não basta premiar, é preciso confiar e, para confiar, é preciso de processos bem delimitados e uma boa visão da gestão de pessoas. Assim, a chave para fazer de seus colaboradores bons intrapreendedores, está em quatro pontos básicos: ter uma estrutura maleável, mas firme; buscar reciclar conhecimentos e modelos de pensamento; dar incentivo e autonomia ao colaborador; e por fim confiar e arriscar.
Nenhum risco precisa ser impensado ou carregar o destino da empresa em uma única ação, mas por exemplo, por que não deixar um funcionário desenvolver um produto novo e secundário para a empresa? Ali pode estar a chance de explorar um mercado complementar. Não há grandes mudanças para a empresa de um modo geral, mas um novo negócio pode surgir e expandir lucros. O capital humano é o mais valioso. Essa inovação nada substitui.
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