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A realidade brasileira sobre as taxas de juro e investimentos
Os investimentos no Brasil, comparados ao exterior, são extremamente baixos, atuando como entrave para o empreendedorismo. Será que existe solução para isso?
Nos últimos anos, uma nova geração de negócios de alto potencial começaram a se desenvolver no Brasil: as chamadas startups, empresas que têm como meta um rápido crescimento, baseadas na cultura da inovação, gerando grande valor agregado para a economia e empregos altamente qualificados.
Esse fenômeno é devido, entre outros fatores, à ampliação dos investimentos nesse tipo de negócio, tendo sido estimulados pela redução do custo do capital, mais especificamente das taxas de juros, na primeira década deste século. Você sabe para onde estão indo todos esse juros?
Considerando que capital é o combustível para acelerar o desenvolvimento das startups, quando esse insumo tem custo muito elevado, o resultado é, no mínimo, a redução do seu ritmo de expansão de mercado e consequente alongamento da curva de crescimento. Poderíamos concluir que isso não seria tão prejudicial se a consequência fosse apenas essa, mas a velocidade de conquista de mercado é um fator de competitividade cada vez mais relevante.
Devido a globalização, as inovações e vantagens competitivas são rapidamente imitadas e, muitas vezes, superadas por novos players do mercado, fazendo-se necessário que o pioneiro domine o mercado antes que outros tenham oportunidade de copiá-lo.
Existem, atualmente, vários casos de referência internacionais de startups que, por meio de investimentos massivos, muitas vezes chegando a cifras de bilhões de dólares, atingiram escala global em poucos anos, tonando-se líderes dominantes do seu setor. Um exemplo recente é o polemico Uber, capitalizado com mais de US$ 9 bilhões, em pouco mais de 5 anos de existência, atuando em 58 países.
Outro caso similar é o Airbnb. Ao receber umo investimentos de mais de US$ 2 bilhões, a marca já está em mais de 190 países. Tudo isso só foi possível pelo fato do custo do capital nos EUA ter um dos patamares mais baixos do mundo, induzindo os investidores a aplicarem grandes somas em empresas com potencial de proporcionar um melhor retorno do que títulos de renda fixa e outros investimentos similares.
Do ponto de vista financeiro, lembrando que o retorno médio de investimentos em empresas é da ordem de 10% ao ano, quando comparamos as taxas de investimento estrangeiro com as atuais taxas de juros brasileiras, verificamos que, pela ótica do investidor, não faz sentido aplicar seu capital na chamada “economia real” e ainda mais no caso das startup que, mesmo tendo potencial de proporcionar retornos maiores, possuem um risco bem superior as empresas tradicionais.
Pelo lado do empreendedor, a conta é ainda mais difícil, pois além dele próprio ter a possibilidade de alocar os eventuais lucros do seu negócio em títulos de renda fixa em vez de reinvestir no próprio negócio, se necessitar tomar recursos junto ao mercado financeiro, sua empresa torna-se praticamente inviável, sendo quase que uma sentença de morte.
Ao mesmo tempo que sabemos que a questão da taxa de juros depende de diversos fatores conjunturais, os quais demandarão um tempo significativo para serem reduzidos, as startups podem ser importantes atores para a recuperação econômica no curto prazo e, o mais relevante: como elementos de sustentabilidade no médio e longo prazo, fazem necessárias medidas urgentes para estimular o investimento nas mesmas. E o melhor mecanismo para isso é a concessão de incentivos fiscais para os investidores dessas empresas.
Importante destacar que isso não representaria renúncia fiscal, pois o capital aplicado imediatamente gera impostos que não são arrecadados quando esse mesmo recurso está investido em títulos de renda fixa. Ou seja, na prática, esse estímulo compensaria o custo do capital atual e elevaria a geração de tributos tanto no curto quanto, principalmente, no longo prazo.
Exemplificando: se fosse permitido o abatimento de 35% do capital aplicado no imposto de renda dos investidores, lembrando que a carga tributária atual está acima desse patamar, somente pelos impostos recolhidos na utilização desse capital pela empresa, na folha de pagamentos dos novos empregos que seriam gerados, bem como na aquisição de equipamentos e contratação de serviços, já haveria mais do que a compensação desse incentivo, isso sem contar com os impostos gerados pelo faturamento que a empresa terá futuramente.
É importante reiterar que esses incentivos, além de não representarem perda de arrecadação tributária conforme demonstrado acima, têm como único objetivo estimular a economia, uma vez que, para o investidor, qualquer ganho efetivo só virá se a empresa for muito bem sucedida e após vários anos de seu capital retido.
Esse mecanismo é tão importante que as principais economias do mundo, como os EUA, Inglaterra, França e Israel já o adotaram há vários anos, chegando em alguns casos a conceder incentivos de até 100% do capital aplicado, como no caso de Israel. As startups são tão importantes para o país que ele é chamado de “Startup Nation”, despontando com um dos líderes mundiais do setor de alta tecnologia.
No mundo globalizado que vivemos atualmente, diante da concorrência dos estímulos, como os exemplos citados anteriormente, hoje o Brasil, além de estar muito defasado, perde a cada dia mais talentos que buscam ambientes mais propícios para criação de seus negócios inovadores, bem como investidores que, facilmente, conseguem alocar seus recursos onde têm maior perspectiva de retorno.
Assim, é essencial que atuemos de forma competitiva globalmente. Para ilustrar essa realidade, basta lembrar do caso do empreendedor Eduardo Saverin, brasileiro que emigrou para os EUA, tendo cofundado o Facebook. Agora, como investidor multibilionário, passou a residir em Singapura, um dos países como maiores estímulos para investidores.
Enfim, não adianta mais pensarmos somente nas necessidades de curto prazo, comprometendo nosso futuro; É essencial que passemos a inserir o Brasil definitivamente nas novas fronteiras da economia global que estão sendo criadas pelas startups e scaleups.
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