Embora os períodos sejam parecidos, tratam de escolhas diferentes. Por isso, é importante entender cada situação
Área do Cliente
Notícia
“Na crise, o caminho é empreender”
Em um futuro não muito distante, será possível sair de casa sem dinheiro ou cartão e nem sentir falta deles. Nesse novo mundo, o celular desempenhará esse papel e as compras poderão ser feitas por meio das vitrines, até mesmo se a loja estiver fech
Em um futuro não muito distante, será possível sair de casa sem dinheiro ou cartão e nem sentir falta deles. Nesse novo mundo, o celular desempenhará esse papel e as compras poderão ser feitas por meio das vitrines, até mesmo se a loja estiver fechada. Não é ficção, mas sim o cenário traçado pela Paypal, empresa especializada em meios de pagamento digitais, que já conta com 170 milhões de clientes nos Estados Unidos e 3 milhões no Brasil. “O e-commerce ainda tem muito a crescer, mas a tendência agora é a digitalização do mundo físico”, diz Mario Mello, diretor da Paypal para a América Latina. A companhia, que foi comprada pelo eBay em 2002 por US$ 1,5 bilhão e voltou a ser independente no ano passado, hoje vale 30 vezes mais. Não à toa, diversos outros players, como Apple, Google e Samsung estão em seu encalço, com projetos que envolvem sistemas de pagamentos alternativos ao Paypal. Mello diz respeitar a concorrência, mas faz questão de ressaltar algo que os outros não têm: independência. “Imagine que o cliente da Apple Pay precise mudar para um celular com sistema Android. Ele perde tudo? Nesse mercado, o consumidor prefere ser agnóstico”, defende o executivo.
DINHEIRO – Primeiro foi o e-commerce tradicional, via computador, que revolucionou o varejo. Agora há as compras via smartphone e o conceito de carteira digital. São todos vetores de uma mesma tendência?
MaRIO MELLO – O mundo está se digitalizando, o que muitos chamam de “multicanal”.Nesse momento, um dos grandes movimentos é a digitalização do mundo físico, graças principalmente à penetração dos smartphones e do wifi. Nossa parceria com o 99Taxis é um grande exemplo disso. Até então, 90% dos pagamentos era feito em dinheiro. Hoje, você vê taxistas acima dos 70 anos idade com o celular, se digitalizando. Estão surgindo várias outras oportunidades de negócio nesse modelo que a gente chama de “sair de casa sem dinheiro”.
DINHEIRO – Algum outro exemplo?
MELLO – Os clientes do shopping Iguatemi não precisam mais pegar fila para pagar o estacionamento. Basta baixar um aplicativo, tirar uma foto do tícket e pagar com Paypal. Estamos também estudando uma forma de incluir todas as lojas das praças de alimentação em um sistema parecido. E isso vai evoluir para o chamado window shopping, onde é possível comprar mesmo com a loja fechada, por meio de um painel digital (marcas como a Kate Spate e Adidas já fizeram experiências nesse sentido. O consumidor efetua a compra e um courier faz a entrega em até uma hora). As empresas que têm o pioneirismo e querem liderar esse processo estão entendendo que a expressão correta não é 'ou', é 'e'. A questão é como transformar uma experiência do consumidor no mundo físico em uma experiência digital também proveitosa. Uma experiência física maximizada pelo digital. Os aplicativos com pagamentos embutidos estão ainda na era paleolítica.
DINHEIRO – Nessa evolução do mercado, os cartões de crédito estão fadados a sumir?
MELLO – Não vejo dessa forma. Muitos clientes preferem o crédito como meio de pagamento. O problema é a fraude. Precisamos adicionar cada vez mais jogadores para proteger as transações e é aí que entra a PayPal. Nosso papel não é tirar o cartão de crédito da jogada, mas sim deixá-lo mais seguro e simplificar a operação. No futuro, o cliente vai ter uma carteira digital e ali ele poderá ter cartões de bancos diferentes, de contas diferentes.
DINHEIRO – O brasileiro ainda sofre bastante com a conexão de celular e muitos usam planos de dados pré-pagos. É um limitador?
MELLO – Em um mundo ideal, é claro que uma rede 3G com boa cobertura e clientes de pós-pago ajudam bastante. Mas a falta deles não chega a ser um limitador. Muita gente na classe C já tem smartphone e usa o wifi no trabalho, que é onde passam a maior parte do tempo. No segmento de moda, por exemplo, as compras pelo celular chegam a representar 40% do total do comércio virtual. E muitos especialistas diziam que o brasileiro não compraria roupas pela internet. O segmento não só cresceu de forma extraordinária como é hoje o maior em volume de vendas no e-commerce, maior até do que o de eletroeletrônicos.
DINHEIRO – Qual seria então o gargalo da Paypal no Brasil?
MELLO – Nosso desafio ainda está no conhecimento do comprador. As pesquisas costumam mostrar que, no Brasil, cerca de 75% dos entrevistados ‘têm medo de digitar o cartão de crédito’. Mas deveria vir a segunda pergunta: você está digitando mesmo assim? É claro que ele está, caso contrário esse mercado não estaria em R$ 80 bilhões no País. Acho que falta o consumidor entender que a transação online dele pode ser mais segura. Temos uma tecnologia que permite identificar se aquele cliente é mesmo o dono da conta pela velocidade com que ele digita a senha ou pela inclinação do celular ou do tablet no momento da compra.
DINHEIRO – O senhor mencionou o conceito de digitalização do mundo físico, área em que a Apple tem investido bastante por meio do seu Apple Pay. O Google tem o Wallet. São duas gigantes nesse mercado. Como sobreviver a essa concorrência?
MELLO – O mercado de pagamentos é um mercado que atrai muita gente. Tem as bandeiras Visa, Mastercard, Amex; tem os bancos, tem os players novos, caso do Stripe, nos Estados Unidos, tem os consultores de hardware, como Apple, Samsung. É um mercado cortejado por várias frentes. Cada vez que a gente olha o mercado tem mais players atrás dele. Respeitamos a concorrência, mas nossa aposta é de que o consumidor quer flexibilidade. Imagine que o cliente seja usuário do Apple Pay e amanhã precise trocar de celular, para um Samsung. Ele perde tudo? O cliente quer ser agnóstico. Podemos estar errados, mas a Paypal enxerga uma vantagem na independência. E tem a questão da segurança. Apple e Google são muito competentes, mas eles precisam buscar uma solução contra fraudes. Quase um terço do nosso time global está procurando novidades em sistemas antifraude.
DINHEIRO – Nos Estados Unidos, a Paypal já tem mais de 170 milhões de contas. O mercado lá já chegou a um ponto de maturação?
MELLO – Não. Acabamos de crescer 19% em receita no mercado americano. Há um ano estávamos com 153 milhões de clientes e já batemos 170 milhões de clientes. Não está estagnado. Eles também estão vivendo o movimento da digitalização. A diferença é que lá os celulares têm planos de dados, o que permite um crescimento muito maior no segmento mobile, de quase 100% ao ano. Além disso, lá a Paypal tem diversos subprodutos. Recentemente compramos uma empresa chamada Venmo, que permite dividir a conta entre os amigos. Cada um paga sua parte pelo celular.
DINHEIRO – Como a matriz vê o desenvolvimento do mercado brasileiro?
MELLO – A matriz vê o Brasil bem a longo prazo. Estamos crescendo perto dos três dígitos no País, mas eles sabem que ainda temos muito a crescer. No Brasil, o e-commerce representa cerca de 3,5% do varejo, quando nos Estados Unidos essa parcela é de 12%. É claro que estamos olhando com atenção para as questões macroeconômicas, mas podemos aumentar nosso market share mesmo que o Brasil não cresça. Veja o caso do 99Taxis: era só dinheiro, agora as pessoas usam o smartphone. Esse mercado tem umas características interessantes. Em 2008, por exemplo, nós crescemos nos Estados Unidos apesar da crise. Isso porque o consumidor foi para a internet em busca de produtos e serviços mais em conta. Aqui no Brasil, temos um parceiro que está crescendo bastante, vendendo produtos que ficaram em estoque. A crise gera mudanças de comportamento, mas as pessoas continuam comendo, continuam casando, as geladeiras quebram... Existe um movimento interno da economia que gira. Claro que poderia estar melhor, mas não estamos em guerra.
DINHEIRO – A Black Friday entrou de vez no calendário brasileiro. No entanto, muita gente passou a desconfiar dos descontos. Faltam, de fato, promoções mais significativas?
MELLO – Segundo um levantamento que encomendamos à BigData este ano, para entender o comportamento dos e-commerces durante a Black Friday, a esmagadora maioria (89,4%) dos sites brasileiros ofereceu promoções online neste dia. Entre os grandes e-commerces, com mais de 500 mil acessos por mês, a adesão foi de 100% na Black Friday. E os preços ofertados desmentiram os rumores sobre promoções falsas na web. As promoções realmente aconteceram. Nos sites de e-commerce de maior porte, por exemplo, houve um desconto médio de 30,86% em relação aos valores cobrados quatro semanas antes. A tendência é que, a cada ano, os e-commerces estejam cada vez mais preparados para atuar de maneira expressiva na Black Friday no Brasil, equiparando-se aos mercados globais.
DINHEIRO – Vocês são parceiros de grandes marcas no Brasil, como Tam, Gol, Casas Bahia, Netflix. Recentemente, lançaram um programa para atrair pequenos e médios empresários. Por que esse movimento?
MELLO – Existe esse momento negativo no Brasil. E o que se pode fazer? Na crise, o caminho é empreender. Nossa visão é: como facilitar a entrada de novos empreendedores no mercado, em um momento tão delicado. Uma vez entrei em um elevador, estava com crachá e uma pessoa me disse: 'ah, adoro sua empresa'. Ela me contou que era tradutora de italiano, tinha perdido o emprego, e decidiu montar um site. 'Hoje vivo de Paypal', ela disse. Ela passou a acessar o mercado internacional, trabalhando de casa e usando apenas o email. Fiquei com isso na cabeça. Foi a partir daí que pensamos no programa para pequenos e médios, com desconto na tarifa. Temos essa responsabilidade, de trabalhar esse movimento anticíclico. Muita gente não sabe, mas para oferecer um serviço que aceite Paypal não precisa nem ter um site, basta ter um email.
Notícias Técnicas
A partir de 1º de novembro de 2026, empresas do Simples Nacional deverão emitir NFS-e exclusivamente pelo Emissor Nacional
O início da transmissão dos lotes com eventos de tabela para o ambiente de produção deverá ocorrer em 1º de outubro
Decisão foi tomada em julgamento de recurso de revista repetitiva
Para 1ª Turma, plataforma se beneficiou do trabalho do entregador
Código 901 contempla estudantes com ou sem bolsa, enquanto S-1200 e S-1210 não são enviados quando não há pagamento
Ministério do Trabalho orienta empregadores a planejar a emissão, sobretudo quando há grande volume de trabalhadores; recolhimento continua sujeito ao prazo regulamentar
Impactos da transição na gestão, créditos e fornecedores exigem ação imediata
Medida provisória já está em vigor, mas prevê uma transição para retirar plataformas e publicidade do ar, devolver valores aos apostadores e encerrar autorizações
Tema 91 estabelece que prescrição deve ser alegada pela parte interessada nas instâncias ordinárias; exceção é a prescrição intercorrente
Notícias Empresariais
Empreender depende não apenas de capital e iniciativa, mas também de um ambiente regulatório que reduza incertezas, custos e barreiras à entrada no mercado
O cuidado integral com a saúde física, mental e social dos trabalhadores é estratégico para empresas com equipes distribuídas, contribuindo para o engajamento, a sustentabilidade do negócio e a eficiência operacional
Planejar e antecipar riscos são importantes, mas o excesso de análise pode virar adiamento. O desafio é transformar a preparação em ação
Mesmo com a tecnologia facilitando traduções, o domínio do inglês continua sendo um diferencial profissional, ampliando oportunidades de carreira, promoções e atuação internacional
Todo pequeno empreendedor, quando decide iniciar sua jornada, percebe que não existe glamour algum. Pelo contrário. O caminho oferece vários momentos de insegurança, medo e algumas frustrações
Capital de giro é o recurso usado para manter as despesas da empresa em dia enquanto as vendas ainda não foram recebidas
Iliquidez pode sufocar empresas nos primeiros anos, mesmo quando vendas e demanda estão em alta
Programa permite renegociar até R$ 15 mil em débitos de informais
Ibovespa cai 0,26% e chega à quarta baixa consecutiva
Uma empresa não se torna preparada para o futuro apenas porque investe em tecnologia, contrata talentos ou elabora um planejamento estratégico
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade