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4 motivos sérios para o empreendedor repensar sua estratégia
Micro e pequenas empresas serão muito mais saudáveis se abandonarem a estratégia de "crescer para sobreviver"
Hoje em dia, a grande maioria das empresas, principalmente as de micro e pequeno porte, muito mais por pressão do meio econômico e empresarial do que por uma lógica racional, adotam, até mesmo inconscientemente, uma estratégia de “crescer para sobreviver”.
Essa estratégia se resume nos seguintes pontos:
- O indicador é faturamento
- O plano é ser agressivo nas vendas
- Os clientes são um meio para se atender uma necessidade (faturar)
- Os concorrentes são adversários a serem batidos
- As pessoas da equipe são um tormento contínuo (pela falta de compromisso)
- O empresário é um empregado de si mesmo, preso ao dia-a-dia de uma rotina estressante, onde posterga a qualidade de sua própria vida para algum dia no futuro.
Existem alguns problemas nessa estratégia de “crescer para sobreviver”. Problemas críticos que se fossem pensados com lucidez, provavelmente fariam o empresário parar com tudo e começar de novo seu empreendimento. Aqui estão 4 motivos fortíssimos para o empresário repensar o que está fazendo.
1 – Por mais que se busque o crescimento econômico, historicamente nos países capitalistas, menos de 0,1 % dos empreendedores chegam a alcançar o posto de milionários (de acordo com critérios e números da Revista Forbes). A imensa e esmagadora maioria dos empreendimentos de micro e pequeno porte simplesmente não cresce. Muitos estacionam, muitos fecham as portas, e alguns poucos são vendidos (com muita sorte, vendidos com algum lucro). Diante destas estatísticas e desta probabilidade ínfima de sucesso, fica a pergunta: Será que faz sentido perseguir uma estratégia de crescimento com uma chance tão pequena de chegar em algum lugar ? Será que é inteligente dar este tipo de foco para uma empresa, ou para toda uma vida ?
2 – O que os clientes querem de uma empresa é encantamento, ou seja, qualidade de atendimento ou de produto que supere suas expectativas.Se clientes cogitam comprar de concorrentes, ou seja, se concorrentes representam ameaça, é porque o fornecedor não está entregando o que eles querem (caso tenha esquecido, voltar no início da frase). As empresas não conseguem entregar o que o que os clientes querem porque a prioridade delas é aumentar as vendas, e não encantar os clientes. As empresas de telecomunicações e os bancos nos dão este exemplo todos os dias, mostrando para nós que a prioridade deve ser vender, e não atender os clientes (muito menos atender bem… sequer cogita-se encantar). E todas as outras empresas tratam de seguir este exemplo, como se esta fosse a única maneira de administrar um negócio.
3 – As pessoas não estão nem aí para o crescimento da empresa e por isso não tem comprometimento. Uma empresa que deixa transparecer através de seus planos e decisões que tem como propósito crescer, ou aumentar faturamento, não consegue motivar e muito menos engajar ninguém. Porque as pessoas, diante deste propósito, ficam pensando somente nelas mesmas, ou seja, ficam perguntando “e o que eu vou ganhar com isso ?”. E enquanto as pessoas estiverem, lá no fundo, fazendo esta pergunta, a empresa não terá o comprometimento delas. A única maneira de combater isto, ou seja, de verdadeiramente conquistar o engajamento da equipe, é descobrindo um novo propósito para sua empresa. Enquanto o “crescer para sobreviver” estiver direcionando as decisões do empreendedor, as pessoas continuarão sendo um tormento em sua vida.
4 – Se continuar postergando a qualidade de vida para o futuro, o empreendedor certamente nunca a encontrará. Nos Estados Unidos, que constituem o grande exemplo de empreendedorismo, crescimento e capitalização de oportunidades econômicas no mundo, hoje, segundo dados da Fundação Merck , 8 em cada 10 pessoas com mais de 60 anos sofrem de pelo menos uma doença crônica (como diabete, reumatismo, hipertensão, câncer etc…). No Brasil, como copiamos tudo que eles fazem, estamos caminhando a passos largos na mesma direção. O que dizer disso ? Será que, em nome do crescimento, vale a pena os empreendedores continuarem cultivando rotinas estressante que produzirão como frutos suas doenças crônicas futuras ? Ou será que saúde não faz parte da qualidade de vida que se almeja? E quanto aos relacionamentos, filhos, família, será que também não estão sendo postergados ? E será que, no futuro, ainda estarão lá ?
“Crescer para sobreviver”, o que dizer de uma estratégia que têm 0,1 % de chances de ser bem sucedida, e 80% de chances de trazer doenças crônicas para seu executor. E o que é pior, é uma estratégia que paralisa a mente do empreendedor porque ele nunca consegue parar, pensar e refletir sobre qualquer um destes 4 motivos citados. Simplesmente segue tocando o barco, vai com a massa, acredita no pensamento comum empresarial, pensamento este que geralmente é manipulado por investidores capitalistas, governos corruptos e aqueles pouquíssimos já grandes, que continuam sendo os únicos que verdadeiramente ganham com o crescimento econômico.
Se os empreendedores conseguissem parar e pensar, mudariam rapidamente sua estratégia. Substituiriam o indicador “faturamento” pelo indicador “encantamento do cliente com lucratividade”, substituiriam planos de agressividade nas vendas por planos de “qualidade no atendimento”, passariam a ver os clientes como o “propósito” e não como o “meio”, esqueceriam completamente os concorrentes porque eles se tornariam irrelevantes, conquistariam o engajamento da equipe em torno de um novo “propósito” e assim, o comprometimento das pessoas para criar, inovar e reduzir desperdícios. Finalmente, estes empreendedores passariam a trabalhar muito mais tranquilos pois não teriam mais obrigação nenhuma de crescer. Na verdade poderiam até diminuir, encontrando um tamanho ideal que permitisse mais qualidade de vida para todas as pessoas. Pessoas estas comprometidas ao mesmo tempo com encantamento dos clientes e com a sustentabilidade econômica da empresa. Empresa que já poderia ser considerada Orgânica.
Esta nova estratégia é possível, basta o empreendedor parar, e começar a dedicar o tempo necessário para pensar e refletir sobre ela. Entender que continuar no modus “crescer para sobreviver” não trará nem uma coisa nem outra para sua empresa, ou seja, não é inteligente, não é racional. O quanto antes ele parar, melhor pra ele.
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