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Economistas apostam que juro básico será mantido em 7,25%
Com alta da inflação, analistas não veem espaço para novo corte
Economistas e analistas de mercado acreditam que o Banco Central (BC) vá manter estável, em 7,25%, a taxa básica de juros Selic em sua reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina hoje. Se confirmado, será a primeira vez que a Selic ficará estável após dez quedas seguidas na taxa. Os analistas são unânimes na leitura de que a autoridade monetária indicou, em seus últimos comunicados, que o ciclo de queda dos juros chegou ao fim este ano. Ao mesmo tempo, avaliam que o risco de inflação supera o de desaceleração da economia.
- O BC foi bastante claro na última ata indicando que vai perseguir a estratégia de manter o juro estável por longo período e, desde então, não vimos declaração de membros do Copom contrária a essa estratégia. Acho que deve seguir essa sinalização - afirmou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil.
A economista Helena Veronese, da gestora do grupo Mapfre, avalia que o BC não está preocupado com uma retomada do crescimento ou um repique da inflação ao ponto de reduzir os juros ou aumentá-los para ajustar o crédito injetado na economia:
- O próprio discurso do Banco Central tem sido que a atividade tem se recuperado, então teoricamente não tem que diminuir juros. E, ainda pelo discurso da autoridade monetária, a inflação está convergindo para 4,5% ao ano (o centro da meta do governo), então a tendência na cabeça deles é que a inflação volte para o centro da meta. Resta saber se a recuperação se confirma.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA,usado nas metas do governo), acumula alta de 4,38% este ano, até outubro.
Mesmo com a expectativa de uma desaceleração da economia no quarto trimestre, Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Espírito Santo no Brasil, destaca que não se trata de um freio brusco que exija uma mudança na taxa de juros. Ele prevê crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) no terceiro trimestre e de 1% no quarto, em comparação aos períodos imediatamente anteriores, com ajuste sazonal. O IBGE divulga na sexta-feira o PIB do terceiro trimestre.
- Será que uma desaceleração de 1,2% para 1% do PIB é algo tão material assim? Não é tão vigorosa, aparentemente, e a inflação continua girando em patamar relativamente forte, então não tem porque mexer no juro - disse Santos.
Como fatores que sustentam uma possível decisão do BC pela manutenção dos juros, Rostagno aponta o cenário externo ainda muito incerto, mas ressalta que a economia brasileira já dá sinais, mesmo que incipientes, de recuperação.
PIB deve ganhar força em 2013
Ele também prevê uma expansão de 1,2% do PIB no terceiro trimestre, na sua visão um resultado "robusto", que justifica o final do ciclo de afrouxamento monetário:
- Claro que esse crescimento está vinculado aos estímulos (do governo) no período. Temos expectativa de desaceleração no quarto trimestre, para 1%. Se a expansão ficar nesse patamar, deve favorecer a retomada dos investimentos.
O estrategista do WestLB do Brasil avalia ainda que o BC deve esperar a maturação dos efeitos do atual ciclo de cortes de juros antes de fazer novas alterações na taxa. Ele só espera que esse ciclo de manutenção termine no início do segundo semestre de 2013:
- Apostamos em alta dos juros a partir de agosto do ano que vem. Nossa visão é que a economia vai ganhar força em 2013, e isso deve trazer pressões inflacionárias.
Somada à elevação da Selic no ano que vem, o governo poderá usar as chamadas medidas macroprudenciais (que influenciam a quantidade de crédito disponível na economia). Mas Rostagno avalia que será inevitável usar a ferramenta tradicional de aperto monetário.
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