Regulamentação da Lei Complementar nº 214/2025 trouxe mudanças importantes nas regras de opção pelo Simples Nacional, que NÃO SERÁ MAIS REALIZADA NO MÊS DE JANEIRO
Área do Cliente
Notícia
A falta que faz a inovação
Indústria brasileira praticamente não cresce há quatro anos e perde espaço para importados.
Indústria brasileira praticamente não cresce há quatro anos e perde espaço para importados. Câmbio, juros e impostos inibem investimentos em tecnologia
Pedro Henrique Medeiros, 14 anos, pretende, quando adulto, construir uma casa onde não faltará nada: computador, internet, tablet, videogame, eletrodomésticos, churrasqueira, piscina, carro na garagem e tudo mais que vier a ser inventado nos próximos anos ou que a imaginação de um adolescente alcançar. Para isso, ele sabe que terá de estudar muito, apesar de ainda não ter certeza sobre qual profissão seguirá. Por enquanto, está dividido: vai tentar ser jogador de futebol, mas, se não der certo, trabalhará com educação física.
"Se não conseguir entrar para um clube grande, vou fazer uma faculdade. Tenho que me preparar desde já, porque entrar no mercado de trabalho ficará cada vez mais difícil", reconhece Pedro, que está no primeiro ano do ensino médio. A ansiedade em relação ao futuro é compartilhada com o amigo Thalisson Gomes, 14, com quem ele treina duas vezes por semana em um time de futebol de Ceilândia. "A exigência para conseguir um emprego aumenta todos os dias. Tem que saber informática, inglês, ter diploma", complementa. "Mas, no meu caso, faculdade só se for pública. Minha família não tem dinheiro para pagar", emenda Thalisson.
A consciência dos adolescentes reflete a preocupação de um país que precisa inovar para crescer, mas que ainda carece de infraestrutura e mão de obra qualificada. E os desafios enfrentados por Pedro e Thalisson não são menores do que os que se colocaram no caminho de empresários e governantes. O maior deles está em como desenvolver uma política industrial eficiente que permita o crescimento econômico do país e as transformações necessárias para que os dois jovens conquistem um padrão de consumo tão sofisticado, equiparável ao de países desenvolvidos.
Antes de Pedro e Thalisson nascerem, há duas décadas, o país viveu um processo de abertura econômica que resultou no aumento da concorrência e na oferta de produtos melhores e mais baratos. Os brasileiros passaram a ter mais acesso a bens como eletrodomésticos, computadores pessoais e veículos, embora tenham persistido, até os dias
atuais, oligopólios em vários setores. As conquistas do passado, entretanto, estão hoje em xeque. A perspectiva é de um longo período de estagnação em países da Europa e nos Estados Unidos. Com o Primeiro Mundo em crise e à beira da falência, o crescimento global se sustenta, em grande parte, na demanda doméstica pujante dos emergentes — especialmente do Brasil —, graças à entrada de milhões de trabalhadores na classe média.
Com todos querendo despejar no mercado brasileiro montanhas de produtos encalhados mundo afora, os problemas sistêmicos do setor industrial ficaram mais evidentes do que nunca. A atividade das fábricas voltou a patinar — cresceu apenas 0,3% em 2011 —, a despeito do aquecimento no comércio interno, o que desenterrou o velho fantasma do protecionismo. É inegável que, ao longo dos anos, o país construiu uma base industrial que impulsionou o crescimento e absorveu grande contingente de mão de obra — hoje, o Brasil está muito próximo do pleno emprego, com um índice médio de desocupação de 6%, o menor da história. Mas a verdade é que a indústria está praticamente estagnada desde 2008. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) acumulou alta de 16% nos últimos quatro anos, o PIB da indústria de transformação cresceu apenas 4%.
"Não haverá crescimento sustentado de longo prazo se a indústria continuar com desempenho tão abaixo da média do PIB", alerta Célio Hiratuka, professor do Núcleo de Economia Industrial e de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Empresários, estudiosos e governantes são unânimes em afirmar: o centro do problema está na baixa capacidade competitiva do setor. "As dificuldades vão desde o excesso de tributação à logística deficiente, alto custo da energia, do capital e dos serviços e, claro, do dólar barato, que estimula um volume excessivo de importações", explica Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Diante de tantos obstáculos, os empresários não conseguem inovar e, salvo raras exceções, perdem mercado para produtos estrangeiros, geralmente melhores e mais baratos. A mais recente versão do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostra que o nível de inovação no Brasil ainda está muito aquém do razoável. Pouco mais de 10% dos novos negócios no país trazem ao mercado bens e serviços verdadeiramente inovadores, desempenho que só não é pior do que o de Bangladesh. Em 2010, o Brasil havia ocupado a última posição entre 54 países.
Atualmente, o investimento em inovação no Brasil equivale a 1,2% do PIB, dividido em 0,65% proveniente do setor público e 0,55% do setor privado. Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), revela que a meta do governo é elevar esse índice para 1,8% do PIB até 2014, dividido em 0,9% do setor público e 0,9% do privado. "O Brasil precisa crescer muito os aportes em ciência e tecnologia. Nesse processo, a elevação dos investimentos privados precisa ser a um ritmo ainda mais acelerado que o setor público", declara. Ainda assim, o país ficará abaixo da média dos emergentes, hoje de 2% do PIB.
O resultado é que o setor de tecnologia da informação e comunicações, no qual o grau de inovação é elevadíssimo e as transformações de mercado, constantes, responde por apenas 3,5% do PIB brasileiro. Em 1980, o Brasil era mais desenvolvido que a Coreia do Sul e a China. Ao longo desses anos, enquanto as duas nações alcançaram índices de investimento da ordem de 30% do PIB, o complexo brasileiro de tecnologia da informação simplesmente não avançou. "Ainda há muito espaço para o crescimento do setor de TI no país, que deve dobrar de tamanho até 2020. Hoje, a oferta está concentrada basicamente nos grandes centros", avalia John Foreman, diretor de Capacitação da Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex).
A soma desse conjunto de fatores — economia global em crise, baixa competitividade da produção nacional, investimentos em inovação aquém da média mundial e fraco desenvolvimento tecnológico — compõe o ciclo de atraso que ameaça a sustentabilidade do crescimento econômico. A pauta exportadora perde, a cada dia, a participação de itens de média e alta tecnologia, enquanto a lista de commodities permanece dominante. Há, contudo, exceções, como Embraer, Embrapa e Natura, que independem de proteções comerciais ou reserva de mercado para se manterem competitivas tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
Notícias Técnicas
Nova versão prevê a movimentação da conta vinculada em casos de doenças graves previstos em ação civil pública
Especialista lista falhas fiscais que comprometem o caixa e saúde financeira
Orientação da Sefaz-SP esclarece a responsabilidade das transportadoras no transporte de bens remetidos por pessoas e empresas sem inscrição como contribuintes do imposto estadual
NBC TPE 01 fixa novas diretrizes para prestação de contas de campanhas
Entenda como a negociação coletiva pode substituir horas extras sem suprimir direitos essenciais
A Receita Federal, o CGIBS e o CFC discutiram o PNCT 2026, com foco nas novas exigências para documentos fiscais e no papel dos contadores durante a transição da Reforma Tributária
Média salarial e proporcionalidades definem o valor final do acerto
Com o avanço do SPED, do Pix, da e-Financeira e de análises preditivas, a Receita monitora movimentações em tempo real
A Resolução CGSN nº 190/2026 adapta o Simples Nacional à Reforma Tributária, regulamentando a incorporação do IBS e da CBS, além de regras sobre créditos, apuração e sublimite
Notícias Empresariais
Consenso rápido costuma transmitir eficiência, mas equipes em que ninguém questiona decisões podem estar trocando pensamento crítico por conformidade
A multipotencialidade pode se tornar uma vantagem competitiva quando diferentes competências são integradas de forma estratégica e comunicadas com clareza, gerando valor para profissionais e organizações
Tecnologia, personalização e serviços de valor agregado ampliam a disputa pela experiência do consumidor e aproximam estratégias já conhecidas pelo RH
Recorde de consumidores endividados pressiona faturamento e capital de giro
Modelo acelera projetos e agrega especialistas a equipes internas
Especialistas defendem combinar dados, pensamento crítico e julgamento humano ao debater o tema no podcast É Mais que Tech
Varejistas globais já adaptam estratégias para aparecer em recomendações de ferramentas de IA, movimento que começa a exigir mudanças também das empresas brasileiras
Categoria cobra reajuste salarial e avanço nas negociações de 2026
Planos de contingência podem parecer desperdício quando tudo funciona. O problema é descobrir que eles eram necessários justamente no momento em que já não existe tempo para prepará-los
A gestão de pessoas deixou de ser apenas operacional. Uma abordagem integrada e estratégica tornou-se essencial para a saúde e sustentabilidade das organizações
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade