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Receita contra a crise
Enquanto no Brasil medidas de incentivo ao crédito devem impulsionar o crescimento, nos Estados Unidos e na Europa o ano 2012 deve representar o início da recuperação
O pior já passou. Pelo menos essa é a avaliação da presidenta Dilma Rousseff a respeito da crise financeira mundial, que afetou de maneira apenas moderada a economia brasileira e que não deve provocar sustos no futuro próximo. Sempre comedida em suas projeções, Dilma está agora mais otimista do que no início de seu mandato. “Asseguro que 2012 será um ano muito melhor do que 2011”, diz. A meta estabelecida por ela e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é fechar 2012 com alta de 5% do PIB. Para Mantega, o Brasil vai crescer no mínimo 4,5%, marca superior inclusive à média do presidente Lula nos oito anos que chefiou o País (o índice foi de 4%). Vários fatores justificam a confiança da presidenta. Ao contrário dos países europeus e até dos Estados Unidos, o Brasil desfruta de recursos próprios para enfrentar a crise, elevadas reservas internacionais e um sistema financeiro saudável. Além disso, a nova e emergente classe média tem dado sinais de vitalidade capazes de fazer a economia andar em períodos de turbulência. “Vamos entrar o ano em ritmo de cruzeiro”, diz a presidenta.
Não é apenas o governo brasileiro que aposta em um 2012 promissor. Pessimista por natureza, o mercado financeiro também prevê uma série de números positivos. É consenso entre essa turma que o PIB vai crescer no mínimo 3,5%, que a inflação se manterá controlada na casa dos 5,5% e que os índices de desemprego permanecerão entre os mais baixos no mundo, em torno de 6%. Que nações ostentam um quadro tão animador? “Poucas”, diz Cristiano Souza, economista sênior do banco Santander. “Mesmo se a crise internacional apertar, o Brasil tem atividade doméstica para puxar o crescimento.” Segundo a maioria dos especialistas, o País dispõe de instrumentos de sobra para aquecer a economia. Em 2011, diante do temor inflacionário, o governo brasileiro colocou o pé no freio. Em 2012, será o contrário. Mantega cita as medidas de barateamento do crédito e as isenções fiscais que foram lançadas para estimular o consumo como impulsionadores do crescimento. Com a proximidade da Copa do Mundo e dos Jogos de 2016, fortes investimentos em infraestrutura também vão ajudar o País a blindar possíveis efeitos negativos da crise global.
Embora ainda seja precoce falar em retomada, nos Estados Unidos, a maior economia do planeta, o cenário de tragédias parece ter ficado para trás. Um estudo da agência de risco Standard & Poor’s estima que o país deva crescer 2% em 2012 – o que não é nenhuma maravilha, mas está longe de representar uma catástrofe. Outros indicadores demonstram que, mesmo lentamente, os americanos estão saindo do abismo financeiro. Os índices de desemprego caíram nos últimos meses e o consumo atingiu em dezembro o melhor nível em quatro anos. Na Europa, nações como Alemanha e Espanha preveem um segundo semestre de aceleração. Na China, que em 2011 viveu um ano de incertezas, a previsão para 2012 é de crescimento de 8% do PIB, número abaixo de sua média nos últimos anos, mas ainda suficiente para assegurar um futuro de fartura.
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