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O que influencia a oscilação do dólar?
Mas, você sabe o que pode influenciar na cotação do dólar para que a moeda registre tantos altos e baixos?
Quem acompanha, mesmo que de longe, o noticiário econômico, deve ter percebido as fortes oscilações do dólar no último mês. A moeda norte-americana, que começou setembro cotada a R$ 1,593, encerrou o mês valendo R$ 1,881, o que significa uma valorização de 18,11%.
Mas, você sabe o que pode influenciar na cotação do dólar para que a moeda registre tantos altos e baixos?
O diretor da Pionner Corretora de Câmbio, João Medeiros, ressalta que o dólar é tido como referência em todo o mundo, por conta da força da moeda e da importância dos Estados Unidos no cenário econômico global.
“No final do século XVIII, com a Revolução Industrial, quem detinha a moeda mais forte do mundo era a Inglaterra, com a sua libra esterlina. No início do século XX, este posto foi passado para os EUA, que ganhavam cada vez maior relevância na economia mundial”, afirma Medeiros.
Assim, a divisa passou a ser usada como referência nas transações de comércio exterior em todo o mundo e possui "relação de paridade" com as outras moedas globais. Como em qualquer mercado, quanto maior a procura pela moeda, maior a chance de ela se valorizar. O mesmo acontece em caso de menor interesse, que faz com que a divisa se desvalorize.
Crise internacional
Segundo o coordenador do curso de ciências contábeis da Faculdade Santa Marcelina, Reginaldo Gonçalves, a forte valorização do dólar ante o real neste último mês pode ser explicada pela aversão ao risco por parte dos investidores.
“Com a crise internacional e todos os problemas verificados na Europa – principalmente na Grécia - quem sofre mais são os países emergentes: os investidores vendem as ações, convertem em dólar e retiram do país, em busca de ativos mais seguros”, afirma Gonçalves.
O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, aponta que em momentos de maior incerteza, os investidores privilegiam os ativos mais líquidos – caso do dólar e dos Treasuries (títulos da dívida pública norte-americana). “Quando as expectativas estão confusas, é comum a fuga para a liquidez e isso faz com que ativos de maior aceitação, como o dólar, sejam mais procurados”, afirma.
De acordo com o economista, por mais que o Brasil tenha uma economia estável e não traga grandes riscos para os investidores, o país ainda não é visto como um "porto seguro" pelos investidores internacionais.
Por isso, quanto maiores forem as incertezas em relação aos países emergentes, maior a procura por investimento em ativos seguros e estáveis, como os títulos norte-americanos – que apesar de terem tido a classificação rebaixada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, ainda são considerados porto seguro por investidores de todo o mundo.
“Os títulos de dívida dos EUA com vencimento em um ano estão oferecendo rentabilidade negativa e, mesmo assim, o investidor prefere saber quanto irá perder neste prazo do que arriscar em ativos mais inseguros”, afirma Perfeito.
O diretor da Pioneer reforça que, apesar da crise não ser no Brasil, o país acaba sendo afetado pela sua condição de “país emergente”. “Com a economia globalizada, tudo está interligado e os problemas internacionais afetam diretamente a cotação da moeda aqui ”, afirma Medeiros.
Reservas cambiais
De acordo com Gonçalves, se o país possui baixas reservas cambiais (que refletem o montante de moeda estrangeira - e ouro - acumulado pelo país), passa a depender do dólar para efetuar negociações internacionais, como pagar fornecedores. “Se isso acontece, há mais chances de ter uma valorização da moeda estrangeira”, afirma Gonçalves.
Entretanto, ele ressalta que, neste momento, o Brasil possui reservas cambiais bastante consistentes, por isso não há uma preocupação que o dólar se valorize por conta disso. “Temos US$ 348,9 bilhões em reservas (até o dia 04 de outubro). Nossas rerervas nunca foram tão elevadas”, afirma Gonçalves.
“Com as reservas que nós temos agora, temos uma garantia que não tínhamos no passado”, concorda Medeiros, da Pioneer.
Câmbio flutuante
As oscilações do dólar acontecem porque o Brasil é um país que possui câmbio flutuante, ou seja, onde a taxa de câmbio varia de acordo com o mercado e não é fixada pelo Governo.
O câmbio flutuante foi estabelecido no País em 1999, depois de décadas sob regime de câmbio fixo. De lá para cá, a moeda norte-americana enfrentou diversas crises e momentos econômicos conturbados e chegou a variar de R$ 1,32 (na estreia do regime) até R$ 3,96, em outubro de 2002.
“O cambio flutuante foi uma das melhores coisas que aconteceram na economia brasileira. Saímos das amarras do câmbio fixado pelo Governo e agora nossa moeda, de uma maneira geral, tem preço definido pelo mercado, pela lei da oferta e da demanda”, afirma Medeiros.
O professor da Santa Marcelina concorda. “O ideal é que o dólar seja flutuante, para o mercado se autodisciplinar”, conclui.
Mesmo com o câmbio flutuante, o Governo pode interferir na cotação da moeda, fazendo leilões de compra e venda de dólar, com objetivo de conter fortes movimentos de alta ou de baixa. O Banco Central interfere e lança títulos no mercado futuro para conseguir levar um equilíbrio", concui Gonçalves.
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