O Carf reconheceu créditos de PIS e Cofins relacionados a contratos de transporte de gás natural na modalidade 'ship or pay', beneficiando a Petrobras.
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Alta do juro vai afetar financiamentos
Parcelas de pagamento de carros novos sofrerão impacto maior; aumento nas prestações de eletrodomésticos vai ficar na casa dos centavos
A nova elevação na taxa Selic anunciada ontem pode deixar as parcelas no financiamento de carros novos ainda mais salgadas. O consumidor que opta por comprar um modelo zero financiado no longo prazo paga hoje entre 0,45 ponto e 1,2 ponto porcentual a mais nas prestações, consequência principalmente das medidas de restrição ao crédito estabelecidas pelo Banco Central em dezembro.
Segundo concessionários e financeiras, até o início de dezembro um carro popular na faixa de preço de R$ 24 mil, como o Celta e o Uno, era vendido em 60 prestações sem entrada, com juros variando de 1,25% a 1,40% ao mês. Atualmente, o mesmo veículo tem taxas de 1,70% a 2,6%, pois as medidas restritivas afetaram mais os planos acima de 24 meses.
Nesse exemplo, os valores das mensalidades, que iam de R$ 580 a R$ 595, subiram para R$ 675 a R$ 740, segundo cálculos do economista Ayrton Fontes, da consultoria MSantos. Apesar do aumento, as vendas de carros ainda não foram afetadas.
"Temos liquidez de mercado, entrada de capitais externos, anúncios de investimentos e os bancos estão com recursos. O financiamento de automóveis tem risco baixo e os consumidores, de forma geral, estão com poder aquisitivo", justifica o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Segundo Reze, "a melhor resposta para tudo isso é o aumento no volume de vendas", afirmou Reze. No primeiro bimestre, foram vendidos 519,3 mil veículos, 19,5% a mais do que no mesmo período de 2010. Em sua avaliação, as medidas do BC "foram de efeito tópico, para alertar os bancos sobre um eventual aumento da inadimplência". "Mas a inadimplência hoje está mais baixa dos que estava há dois anos."
Eletrodomésticos. O impacto da recente alta dos juros na prestação de um eletrodoméstico ou de um empréstimo pessoal é praticamente irrisório, de centavos, para o consumidor. Uma simulação feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Contabilidade e Administração (Anefac), a pedido do Estado, mostra que, em março do ano passado, a prestação de uma geladeira, cujo preço à vista era R$ 1.699, financiada em 24 meses, com juros de 5,72% ao mês, era de R$ 131,89. Em fevereiro, mesmo com a alta dos juros para 5,79% ao mês, a prestação subiu para R$ 132,76. A diferença é de R$ 0,87 no valor da prestação.
A história se repete no caso do financiamento pessoal. O consumidor que contraiu um empréstimo de R$ 2 mil em março do ano passado com juros mensais de 4,74% ao mês, por dois anos, desembolsava R$ 141,30 por mês para quitar o empréstimo. Em fevereiro, com o juro mensal subindo para 4,85%, a prestação aumentou para R$ 142,83.
Ribeiro de Oliveira observa que, no caso dos eletrodomésticos e dos empréstimos pessoais, como os prazos de pagamento não foram alterados, só a alta dos juros é insuficiente para aumentar o valor da prestação, a ponto de inibir os empréstimos. / COLABOROU ANNE WARTH
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