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Crédito a pequenas cresce 86%
As empresas de pequeno e médio porte do Paraná contrataram mais empréstimos subsidiados pelo governo em 2010
As empresas de pequeno e médio porte do Paraná contrataram mais empréstimos subsidiados pelo governo em 2010. O volume de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) do estado cresceu 86% na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 5,4 bilhões, contra R$ 2,9 bilhões em 2009. O repasse ao Paraná representou 11,4% do total concedido pelo BNDES no ano passado para as três categorias de empresas em todo o país. A fatia é superior à representação do estado no Produto Interno Bruto (PIB), de 5,9% (dado de 2009).
Para especialistas, a retomada no pós-crise incentivou a demanda por crédito, movimento que deve continuar em 2011 diante do cenário positivo para a economia brasileira. As linhas para capital de giro e para financiamento da ampliação da capacidade produtiva deverão ser as mais requisitadas. O crescimento, porém, dificilmente manterá o mesmo ritmo de 2010.
Empréstimo via BRDE recua
No Paraná, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), agente econômico do BNDES para a Região Sul e responsável por apenas uma parcela do crédito do banco nacional negociado no estado, diminuiu em 3% os repasses para as micro, pequenas e médias empresas em 2010 – eles somaram R$ 160 milhões, contra R$ 165 milhões em 2009.
“A nossa expectativa é de que o crédito deve continuar crescendo, mas não tão fortemente. Há indícios de aumento das taxas de juros, o que frearia o crédito”, diz Andrezza Oikawa Rocha, coordenadora de fomento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que mantém um posto de informações para orientar empresários interessados em obter financiamento pelo BNDES.
O Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado pelo governo para incentivar a aquisição de máquinas e equipamentos em meio à crise financeira de 2008, deve ser prorrogado pela terceira vez, mas com taxas mais elevadas. O programa, que concede crédito subsidiado, especialmente a pequenas e médias empresas, começou com juro mínimo de 4,5% ao ano, foi reajustado para 5,5% no ano passado, e agora deve sofrer um novo aumento, ainda não definido.
Sem papelada
Uma das modalidades que mais têm atraído os pequenos e médio empresários é o Cartão BNDES. No estado, as operações com o cartão também cresceram 86% no ano passado, segundo a Fiep. O programa desburocratiza o processo de empréstimo e dá agilidade ao empresário na tomada de decisões. O produto funciona como os cartões de crédito tradicionais, mas é exclusivo para o financiamento de investimentos das MPMEs. Empresas com faturamento bruto anual de até R$ 90 milhões e em dia com o INSS, FGTS, Rais e tributos federais têm acesso ao cartão. Após cadastro e liberação do banco, o portador recebe um limite de crédito de até R$ 1 milhão. Depois disso, fica a seu critério o momento de realizar a compra junto a um fornecedor credenciado. “Facilita muito o processo porque o empresário não precisa comparecer ao banco, com todos os papéis exigidos, para cada operação de empréstimo”, diz Andrezza.
As sócias Fernanda Morini e Jussara Locatelli, donas da produtora de vídeo Realiza Vídeo, usaram o cartão pela primeira vez em agosto do ano passado, para a compra de uma van. “Por obrigação contratual, precisávamos de uma nova van. Como era um desembolso alto de capital, a solução que a gente encontrou foi usar o cartão. Foi muito simples e, à medida que você vai pagando as parcelas, o dinheiro vai sendo liberado para crédito novamente”, conta Fernanda. Ela cita o fim da papelada para o empréstimo como uma grande vantagem. “Evita aquela demora do cadastro, de mandar os papéis obrigatórios para o empréstimo. Com o cartão, o crédito já está pré-aprovado.”
Preocupação
Segundo levantamento do Sebrae-PR, ainda são comuns empréstimos para aporte no capital de giro. “É um tipo de crédito que normalmente indica algum problema na gestão do recurso financeiro”, afirma Flavio Locatelli Junior, coordenador de acesso a serviços financeiros do Sebrae-PR. “O empresário acaba comprando um equipamento e descapitalizando o fluxo de caixa. Quando vê, acaba faltando dinheiro para o capital de giro e é preciso recorrer a uma linha de financiamento.” Na pesquisa do Sebrae-PR, diz o coordenador, há “vários exemplos” de empresas que fizeram uso do cheque especial para suprir o capital de giro. “É um problema sério de planejamento. O empresário busca uma linha de financiamento de curto prazo, que é o cheque especial, e acaba pagando um juro muito mais caro.”
Em 2010, as micro, pequenas e médias empresas de todo o país receberam R$ 45,6 bilhões em empréstimos do BNDES, um salto de 96% em relação a 2009. O banco responde por 70% do crédito de longo prazo no Brasil.
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