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Aprenda com Buffett: longo prazo reduz chance de perda e revela valor real dos ativos
A definição de um horizonte mais longo para os investimentos é importante, pois reduz as chances de perdas e de eventos inesperados.
“No longo prazo, todos estaremos mortos”. A célebre afirmação atribuída ao economista inglês Jonh Maynard Keynes indica que, no presente, interessa olhar somente aquilo que está à frente.
A definição de um horizonte mais longo para os investimentos é importante, pois reduz as chances de perdas e de eventos inesperados.
Em meio ao cenário, o analista Austin Hawley, da gestora de recursos Diamond Hill, discorre em artigo publicado na MorningStar sobre a importância de direcionar os investimentos no longo prazo, bem como de encontrar o verdadeiro valor da empresa.
Nos passos de Buffett e Graham
Inicialmente, uma base para se sustentar. “Estamos comprometidos com a filosofia de investimento de Warren Buffett e de Benjamin Graham, com objetivos (acima de cinco anos) para apresentar melhor desempenho do que índices e nossos concorrentes”, diz Hawley.
Para a gestora de recursos, a determinação de um horizonte para o investimento é um ponto central em sua análise. “A combinação de disciplina no valuation e horizonte de longo prazo nos investimentos nos dá uma margem frente aos nossos concorrentes”, completa a Diamond Hill.
No mínimo, cinco anos
Depois da introdução, um pouco de metodologia. Para justificar a escolha do horizonte de cinco anos, a gestora de recursos afirma que esse é período mínimo requisitado para uma maior chance de retornos, além de ser o menor tempo necessário para que os retornos negativos sejam remotos.
Portanto, o analista ressalta que a escolha de um investimento no longo prazo não garante retornos altos, mas sim diminui o risco de perdas. Além da menor probabilidade de prejuízo, a Diamond Hill observa que há bastante tempo para que os gaps entre valor intrínseco e preço do mercado fiquem próximos.
Alinhando-se à distribuição normal
Hawley ressalta que, atualmente, muito do que se produz no mundo acadêmico examina distribuições de apenas um ano. Em contrapartida, “retornos anuais são muito voláteis, e os investidores com expectativas em torno de ganhos de um ano certamente são surpreendidos – tanto positivamente quanto negativamente”, completa a gestora de recursos.
Evidenciando a ocorrência de surpresas, a Diamond Hill observa que, desde 1883, os retornos listados entre 5% e 15% na distribuição com horizonte de um ano ocorreram em menos de 20% dos anos. Além disso, o analista observa que perdas inesperadas ocorrem com certa frequência, aparecendo em mais de 25% nos últimos 126 anos.
No caso da distribuição de cinco anos, algumas características são diferentes. “Os investidores ainda sofreram perdas e ainda há um intervalo amplo nos ganhos”, pondera a gestora de recursos. No entanto, retornos negativos ocorrem com menor frequência, alem da maior concentração dos retornos no intervalo de 5% a 15%.
Como conclusão, o analista afirma: “baseado na historia, cinco anos se revela como o período mínimo requerido para retornos normais (em linha com a distribuição normal) e para retornos negativos serem pouco prováveis”.
Valor intrínseco não se mede com preços
Para Hawley, as companhias possuem um valor intrínseco baseado nos ativos que possui e no montante que distribui a seus shareholders. Nesse sentido, “no curto prazo, especulação, comportamentos, e descompassos entre oferta e demanda podem guiar os preços longe de seu valor intrínseco”.
Em contrapartida, no longo prazo, a Diamond Hill observa que o peso das distribuições dos lucros, as vendas de ativos e a arbitragem entre os mercados públicos e privados tendem a dirigir os preços para patamares próximos ao valor intrínseco.
Tal viés remete à famosa frase de Benjamin Graham: “no curto prazo, o mercado é uma máquina de votação, mas no longo prazo é uma máquina de pesagem”. Conforme o analista, a máquina de pesagem se evidencia na análise de cinco anos.
Especulativo menos especulativo
De olho nos múltiplo P/L (preço da ação sobre projeção de lucro), a gestora de recursos destaca que, sob o horizonte de cinco anos, facilita-se prever a direção do múltiplo P/L, particularmente nos extremos. “Baseado nos últimos 126 anos de retornos acionários, um P/L inferior a 10 vezes possui 40% de chance de cair nos próximos 12 meses”, avalia Hawley, em referência ao horizonte de um ano.
Por outro lado, a Diamond Hill mostra que, diante de cinco anos, a probabilidade de queda de um P/L menor que 10 vezes é inferior a 10%. “Em períodos de cinco anos ou mais longos, a componente especulativa nos retornos acionários se torna decididamente menos especulativa”, conclui o analista.
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