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Crescimento do crédito no Brasil é destaque global
O Brasil teve o maior crescimento de linhas de créditos internacionais entre os mercados emergentes e o sexto maior do mundo.
Jamil Chade
O Brasil teve o maior crescimento de linhas de créditos internacionais entre os mercados emergentes e o sexto maior do mundo. Os dados são do Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais), que ontem revelou que empréstimos, créditos e fluxos do sistema financeiro internacional no segundo trimestre continuam a cair, ainda que a redução seja mais suave.
O valor total dos créditos ao Brasil não é o maior entre os emergentes e é muito inferior ao total nos países ricos, mas a expansão tem superado a todos os demais. As estatísticas são as únicas no mundo a mostrar como bancos deixaram de emprestar entre eles e cortaram créditos ao setor produtivo.
Isso mesmo diante dos bilhões de dólares injetados pelos governos para destravar o mercado. A falta de créditos levou empresas a fechar as portas, provocou demissões e paralisia no setor imobiliário em alguns países, ampliando a crise.
Apesar dos esforços do G-20, os dados mais uma vez indicam que o volume total de créditos e fluxo de capitais continuou a cair no segundo trimestre, embora numa taxa menor que nos trimestres anteriores. Nos últimos três meses de 2008, a queda foi de US$ 1,7 trilhão. Nos primeiros meses de 2009, a redução foi de mais US$ 800 bilhões e o tombo já chegava em março a US$ 6 trilhões. Para muitos no mercado, esse foi o verdadeiro termômetro do impacto da crise no setor financeiro e um cálculo exato de quanto os bancos decidiram tirar do mercado. A "seca" nos créditos reverteu uma tendência de 30 anos de expansão sem interrupção no volume de empréstimos pelo mundo.
Mas o que o BIS mostra agora é que, entre abril e junho, a queda nos empréstimos começou a perder força. A redução no volume de crédito foi de "apenas" US$ 327 bilhões, o que foi timidamente comemorado. A redução no trimestre - a quarta consecutiva - foi de 1,1%.
Sem contar ajustes no câmbio, o trimestre apresentou alta, de US$ 29,5 trilhões para US$ 30,4 trilhões. Pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2008, o empréstimo ao setor não bancário aumentou, mas apenas em 0,5%, o equivalente a US$ 48 bilhões em todo o mundo, uma migalha.
Os bancos ainda deixaram claro que não confiam nas demais instituições financeiras. O empréstimo entre bancos voltou a cair em US$ 375 bilhões no segundo trimestre. A taxa, porém, é menor que a seca de US$ 664 bilhões no início de 2009.
Ainda assim, isso não foi suficiente para permitir a volta aos níveis de dezembro de 2008, quando o fluxo financeiro global chegou a US$ 31,1 trilhões, ou dezembro de 2007, quando o volume de exposição de bancos era de US$ 33,4 trilhões.
BRASIL
No caso do Brasil, a alta dos empréstimos internacionais foi de US$ 11,5 bilhões entre abril e junho, a maior entre todos os emergentes. Foi uma reviravolta em relação à queda de US$ 13 bilhões no primeiro trimestre e US$ 21 bilhões nos últimos três meses de 2008. Sem a correção cambial, a exposição total dos bancos estrangeiros no País passou de US$ 140 bilhões no primeiro trimestre para US$ 153,7 bilhões no fim de junho.
Mesmo com a recuperação, o montante ficou abaixo dos índices de dezembro de 2008, com US$ 155 bilhões, e de dezembro de 2007, com US$ 157 bilhões. Quase metade do aumento dos empréstimos - US$ 5,7 bilhões - foi para indústrias fora do setor bancário. Esse mesmo setor havia sofrido no último trimestre de 2008 uma queda de US$ 8,8 bilhões.
Graças ao Brasil, a expansão dos créditos na América Latina chegou a US$ 5,8 bilhões, depois de queda de US$ 20,5 bilhões no primeiro trimestre e US$ 44 bilhões no último trimestre de 2008. Enquanto o Brasil expande seus créditos, o México continua a ter uma retração de US$ 3,9 bilhões.
Se todo o empréstimo de bancos estrangeiros for contabilizado, inclusive pelos bancos internacionais que têm escritórios no País, a alta de créditos é ainda maior. Empréstimos e exposição de bancos passaram de US$ 273,6 bilhões em dezembro de 2008 para US$ 284 bilhões em março. Três meses depois, o volume chegou a US$ 331 bilhões, um terço de tudo o que é dado em créditos na América Latina. O Brasil ainda superou o México, que soma empréstimos totais de US$ 318 bilhões.
Os bancos europeus são os que mais apostam no Brasil, com exposição total de US$ 246 bilhões em junho.
RICOS
A alta no Brasil vai em direção contrária ao que ocorreu nos países ricos. No geral, a exposição de bancos aos mercados ricos caiu US$ 204,3 bilhões, para US$ 23 trilhões. As linhas de crédito nos países ricos para empresas fora dos setor bancário cresceram US$ 87 bilhões. Mas a queda de empréstimos entre bancos chegou a US$ 291 bilhões. No início do ano, havia sido de US$ 509 bilhões.
A maior queda foi na Europa, com US$ 158 bilhões, levando em conta os ajustes no câmbio. Nos Estados Unidos, a queda também foi grande, de US$ 169 bilhões. A seca de crédito nos EUA foi superior aos meses anteriores. Ainda assim, o país somou empréstimos de US$ 4,9 trilhões no fim de junho.
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