Saiba como organizar finanças da empresa para evitar riscos fiscais
Separe finanças pessoais e da empresa, digitalize o caixa, automatize notas fiscais e adapte-se à reforma tributária
Autor: redação IOB NotíciasFonte: IOB NotíciasLink: https://noticias.iob.com.br/saiba-como-organizar-financas-da-empresa-para-evitar-riscos-fiscais/
Para organizar as finanças da sua empresa e evitar problemas fiscais, você deve separar totalmente as contas pessoais das jurídicas, digitalizar a gestão de fluxo de caixa, automatizar a emissão de notas fiscais e implementar medidas mandatórias de adaptação à Reforma Tributária.
Lembre-se: a desorganização financeira é o principal gatilho para fiscalizações e multas que podem comprometer a sobrevivência do seu negócio.
A organização envolve alguns pilares fundamentais que estão divididos entre a conformidade fiscal e o controle gerencial.
Confira 8 dicas de ouro para organizar as finanças da sua empresa.
1.Separe as finanças pessoais das empresariais
- Contas bancárias distintas: Abra uma conta corrente jurídica exclusiva para a empresa. Não misturar dinheiro pessoal com o da empresa é primordial.
- Definição de Pró-labore: Estabeleça uma remuneração fixa mensal para você que é administrador e aos sócios (se houver).
2.Implemente fluxo de caixa e rotina rigorosa
- Registro diário: Lance todas as entradas e saídas no mesmo dia.
- Conciliação bancária: Cruze o extrato do banco com os lançamentos do livro Razão diariamente.
- Categorização de custos: Separe gastos em fixos, variáveis, investimentos e impostos.
- Projeção futura: Projete os recebimentos e pagamentos para os próximos 90 dias. Lembre-se que a reforma tributária está repercutindo nas projeções de compras evendas futuras, além das precificações e margens de lucro.
3. Blinde a empresa contra problemas fiscais
- Emissão de Notas (NF-e): Emita nota fiscal para 100% das vendas ou serviços. Além de obrigatório, erros e omissões são as principais causas de autuação pelo fisco.
- Calendário tributário e de obrigações acessórias: Monitore o vencimento de impostos como DAS, ICMS ou ISS e de obrigações acessórias como a ECD, EFD-ICMS/IPI, EFD-Contribuições, DEFIS (Simples Nacional), DCTFWeb, EFD-Reinf, dentre outras.
- Planejamento tributário: Revise anualmente se o regime (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) é o ideal para a empresa.
- Guarda de documentos: Armazene XMLs de notas fiscais e comprovantes por no mínimo 5 anos, tempo exigido pela fiscalização.
4.Use a tecnologia e suporte profissional
- Contabilidade parceira: Contrate um contador especializado no nicho do seu negócio.
- Sistemas de Emissão de Notas: Utilize um software de emissão ilimitada e que integre o financeiro à contabilidade, evitando erros manuais em planilhas.
- Auditorias internas: Revise mensalmente as certidões negativas de débito (CND) e, periodicamente, as demonstrações financeiras do seu negócio.
5.Prepare-se para o split payment
- Retenção automática: No momento do pagamento ao cliente, o banco irá separar o valor dos tributos (IBS e CBS) e os enviar direito ao Fisco, repassando o valor líquido restante para o fornecedor.
- Impacto no caixa: O dinheiro que entrava “bruto” na conta passará a entrar “líquido”. Você perderá o float bancário e precisará adequar o fluxo de caixa à essa nova realidade.
6.Gerencie a cadeia de créditos fiscais
- Crédito financeiro: Sua empresa só poderá acumular créditos de IBS e CBS se o seu fornecedor emitir a nota fiscal corretamente e recolher os tributos devidos.
- Seleção de fornecedores: Comprar de quem é informal ou desorganizado encarecerá o seu produto, pois você não terá o crédito fiscal para abater na saída. As negociações com os fornecedores têm um papel fundamental na prática de organizar as finanças da sua empresa.
- Contratos longos: Insira cláusulas de revisão tributária em novos contratos de prestação de serviços ou fornecimento com duração plurianual.
7.Fique atento à gestão do Simples Nacional
- Manutenção do regime: O Simples Nacional não vai acabar, mas exigirá atenção estratégica redobrada.
- Decisão para 2027: As empresas do Simples terão de escolher entre o recolhimento unificado padrão (recolher todos os impostos, inclusive o IBS/CBS na guia do DAS) ou pagar o IBS/CBS “por fora” dessa guia (modelo híbrido).
- Calendário de Mudanças Operacionais: A adesão ao Simples Nacional foi transferida para setembro de 2026 e valerá para o ano de 2027. Você terá que fazer duas opções: Simples Nacional em 2027 e recolher o IBS/CBS por fora nesse 1º semestre.
- Vendas B2B: Se você está no Simples Nacional e vende para outras empresas, pagar por fora permitirá transferir créditos cheios aos seus clientes, mantendo o seu negócio competitivo no mercado, enquanto a manutenção do modelo padrão possibilita um crédito menor ao seu cliente.
8.Revise a precificação e a margem de lucro
- Carga nominal X carga efetiva: Setores de serviços enfrentarão um aumento na alíquota efetiva. Sua empresa precisa refazer o cálculo de preços para não perder margem.
- Fim de benefícios locais: Diversos incentivos estaduais de ICMS e municipais de ISS deixarão de existir gradualmente. Verifique se o seu setor possui regras de transição específicas.


