O medo de investir na capacitação de um colaborador e vê-lo deixar a empresa ainda faz parte da realidade de muitos empresários. No entanto, segundo Gustavo Braz, CEO do Grupo PMD, importadora de ferramentas diamantadas no Brasil, o verdadeiro risco pode estar justamente no caminho contrário: manter pessoas sem preparo em posições de liderança.
"O empresário precisa deixar de enxergar o treinamento como uma possível perda e passar a vê-lo como uma proteção para o negócio. Se um profissional treinado sair, existe um impacto. Mas manter alguém despreparado tomando decisões importantes pode gerar prejuízos muito maiores", afirma.
De acordo com o executivo, a falta de desenvolvimento das lideranças costuma aparecer em situações do dia a dia da empresa. Decisões ficam concentradas no fundador, gestores evitam assumir responsabilidades, equipes dependem de autorização para tarefas simples, conflitos se repetem e profissionais qualificados acabam deixando a organização por falta de direcionamento. "Muitas empresas acreditam que enfrentam problemas de vendas ou produtividade, quando, na verdade, a origem está na falta de preparo de quem lidera as equipes", explica.
Como começar a desenvolver a equipe
Para Gustavo Braz, o processo não precisa começar com programas complexos. O primeiro passo é identificar quais áreas exigem maior capacidade de decisão, quem já exerce influência sobre os colegas e quais dificuldades aparecem com frequência na rotina da empresa. A partir desse diagnóstico, é possível estruturar uma formação contínua com temas como comunicação, gestão de pessoas, acompanhamento de metas, tomada de decisão, resolução de conflitos e desenvolvimento de equipes.
"Liderança não se constrói em uma palestra. Ela exige método, prática e acompanhamento constante. O conteúdo precisa fazer sentido para a realidade da empresa e para os desafios enfrentados pelos profissionais", destaca.
Segundo ele, empresas em fase de crescimento podem adotar ciclos trimestrais de desenvolvimento, encontros mensais entre líderes e reuniões quinzenais para acompanhar resultados, discutir dificuldades e alinhar decisões.
Na avaliação do especialista, os melhores resultados costumam surgir quando a empresa combina conhecimento interno com apoio de profissionais externos. "Consultores e especialistas ajudam a trazer metodologia, novas perspectivas e organização ao processo. Já a cultura da empresa precisa ser transmitida por quem vive a rotina do negócio. Essas duas frentes se complementam", afirma.
Principais sinais de alerta
Alguns sinais podem indicar que a empresa precisa investir mais no treinamento e desenvolvimento da equipe. Entre eles, estão a alta rotatividade em cargos de liderança, a queda de desempenho após promoções, o excesso de problemas que chegam à diretoria, a dificuldade de manter padrões entre diferentes equipes e a ausência de profissionais preparados para assumir novas responsabilidades.
Segundo Gustavo Braz, quando esses sintomas aparecem, o desafio deixa de ser apenas relacionado à gestão de pessoas e passa a comprometer o crescimento do negócio. "Líderes preparados tornam as decisões mais rápidas, reduzem a dependência do fundador, fortalecem a cultura organizacional e aumentam a capacidade de execução. Quando a liderança amadurece, o empresário consegue dedicar mais tempo à estratégia e ao futuro da empresa, em vez de resolver problemas operacionais todos os dias", conclui.
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| Atualizado em: 05/08/2026 19:30 | ||
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