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O ambiente corporativo sempre foi marcado por uma ideia bastante específica de profissionalismo: roupa formal, reunião com horário marcado, apresentação preparada, linguagem cuidadosa e uma distância quase obrigatória entre as pessoas. Mas o mercado mudou. Hoje, cada vez mais, percebo que algumas das relações comerciais mais importantes começam justamente quando essa formalidade deixa de ser o centro da conversa.
Um almoço descontraído pode dizer mais sobre alguém do que uma apresentação preparada. Quando a obrigação de apresentar uma empresa, defender uma proposta ou chegar a uma decisão deixa de ocupar todo o espaço, as pessoas passam a falar de outra maneira. Contam o que realmente está acontecendo, compartilham dificuldades, fazem perguntas que talvez não fariam em uma reunião e conseguem conhecer melhor quem está do outro lado. É nesse momento que a confiança começa a ser construída.
Essa percepção também aparece na prática. O estudo “Empreendedorismo 2026”, realizado pelo Consumer Insights UOL com 1.300 pessoas de todo o Brasil, mostrou que 37% dos empreendedores recorrem a colegas do próprio setor quando precisam de conselhos sobre o negócio. Mais do que um dado sobre networking, vejo esse resultado como um sinal de que experiência e confiança também são construídas a partir de relações que vão além das estruturas formais das empresas.
Ao longo da minha trajetória como empresário, vivi situações em que parcerias importantes começaram em conversas que, inicialmente, não tinham nenhuma intenção comercial. O assunto era outro, o ambiente era informal e não havia uma proposta para apresentar. Mas foi justamente essa liberdade que permitiu identificar interesses em comum e, depois, transformar a proximidade em oportunidade.
A informalidade, no entanto, não elimina a necessidade de estrutura. Reuniões, apresentações e processos formais continuam sendo fundamentais para organizar decisões e formalizar acordos. O que muda é o momento em que essas ferramentas entram na relação.
Empresas não fazem negócios sozinhas. São pessoas que negociam, estabelecem parcerias, fazem indicações e decidem em quem confiar. Por isso, não vejo a quebra da formalidade como uma perda de profissionalismo, mas como uma mudança na maneira de construir relações comerciais.
Se eu pudesse dar um conselho para o empresário que eu era no começo, seria simples: não passe todo o seu tempo procurando a reunião perfeita. Esteja também nos lugares onde as conversas acontecem naturalmente. Às vezes, a oportunidade que você procura em uma apresentação já começou em uma mesa ao lado.
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| Atualizado em: 18/09/2026 11:10 | ||