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Toda empresa gostaria que seus colaboradores falassem bem dela. Algumas criam campanhas para incentivar depoimentos, publicam histórias de carreira e convidam profissionais a mostrar a rotina nas redes sociais. A pergunta mais difícil costuma ficar fora do roteiro: o que a organização faz quando alguém conta uma experiência ruim?
É nesse momento que a marca empregadora se torna menos confortável e mais útil ao RH. Uma avaliação negativa pode ser injusta ou refletir uma situação isolada. Mas, quando relatos semelhantes se repetem sobre a mesma liderança, a falta de perspectivas de carreira ou o silêncio nos processos seletivos, tratá-los apenas como um problema de imagem significa desperdiçar informação sobre o trabalho real.
Em entrevista publicada pelo Mundo RH, Henrique Cacique defendeu que employer branding vá além das campanhas. Para ele, ouvir colaboradores e ex-colaboradores exige disposição para enfrentar críticas e investigar a distância entre a promessa feita ao mercado e a experiência vivida dentro da empresa. Não basta pedir que as pessoas sejam embaixadoras; é preciso entender por que algumas não desejam ser.
A contradição pode aparecer antes da contratação. Uma companhia anuncia respeito às pessoas, mas deixa candidatos semanas sem resposta. Promete agilidade, mas acrescenta etapas sem explicar prazos. Diz valorizar inclusão, enquanto oferece uma seleção pouco acessível.
Na reportagem “O candidato desistiu. E o RH talvez nem saiba por quê”, o Mundo RH mostrou como processos longos, comunicação confusa e ausência de feedback podem afastar profissionais e afetar a reputação da empresa. Mesmo quem não recebe uma proposta sai da seleção com uma história para contar.
O RH, portanto, precisa olhar além do número de inscrições. Quantas pessoas abandonam o processo? Em qual etapa? Quanto tempo ficam sem retorno? A resposta pode revelar se a campanha está atraindo talentos para uma experiência que os convida a ir embora.
Depois da admissão, é a liderança que coloca a marca à prova. A empresa pode divulgar flexibilidade, mas marcar reuniões fora do horário. Pode prometer desenvolvimento, mas não explicar critérios de promoção. Pode falar em inovação enquanto seus profissionais enfrentam sistemas que dificultam tarefas simples.
Como observou Ligia Oliveira em entrevista ao Mundo RH, a experiência precisa confirmar diariamente aquilo que a organização promete, inclusive no desligamento. Já uma reportagem sobre experiência digital mostrou que ferramentas fragmentadas e burocracia também podem enfraquecer a confiança na marca empregadora. São aspectos menos fotogênicos do que uma campanha, mas fazem parte da vida de quem trabalha ali.
Isso amplia a responsabilidade do RH. Comunicação pode explicar a proposta de valor da empresa; lideranças, processos e decisões precisam torná-la reconhecível. Quando essas partes se contradizem, publicar mais conteúdo não resolve a causa da frustração.
Alcance, seguidores e candidaturas ajudam a avaliar uma estratégia de atração. Para saber se ela representa a experiência entregue, é necessário acompanhar também desistências na seleção, saídas precoces, mobilidade interna, motivos de desligamento e a disposição das pessoas para recomendar a empresa. O Mundo RH já apontou essa aproximação entre promessa, experiência e reputação como uma mudança na agenda de employer branding.
Nenhum desses indicadores, isoladamente, conta toda a história. Juntos, eles ajudam a formular uma pergunta que campanhas raramente respondem: as pessoas encontram, depois de entrar, a empresa que conheceram antes de se candidatar?
Uma crítica pública pode incomodar. Um padrão de críticas ignorado deveria incomodar mais. A marca empregadora que merece atenção do RH não é apenas a que atrai elogios espontâneos. É também a que permite ouvir relatos difíceis, corrigir práticas e dar às pessoas motivos reais para querer permanecer.
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| Atualizado em: 14/09/2026 18:30 | ||