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A construção de competências na carreira redefine o desenvolvimento profissional no mercado atual. Em vez de seguir uma hierarquia rígida, os profissionais acumulam conhecimentos multidisciplinares e adaptam suas trajetórias. Portanto, integrar habilidades técnicas e comportamentais garante maior flexibilidade diante das transformações aceleradas pela tecnologia.
A escada para subir na vida profissional ficou para trás
Nem tudo o que parece uma mudança de caminho é, de fato, uma mudança de direção. Durante muito tempo, a carreira foi representada como uma escada: um degrau depois do outro, sempre para cima, seguindo uma sequência previsível.
Hoje, essa imagem já não dá conta de explicar como construímos nossa trajetória profissional. Eu vejo a carreira mais como uma composição de camadas: a formação inicial, experiências diferentes, competências técnicas, projetos, pessoas, mudanças de área e novas tecnologias.
Coisas que aprendemos pelo caminho, que em determinado momento pareciam não ter utilidade, podem ganhar outro significado anos depois. Foi assim comigo.
Durante boa parte da minha vida profissional, achei que precisava encontrar uma direção. Como se carreira fosse uma estrada: escolher um caminho, permanecer nele e acumular experiência até chegar a algum lugar.
Quando olho para trás, vejo uma trajetória que, à primeira vista, poderia parecer fragmentada. Jornalismo, operações comerciais e financeiras, desenvolvimento de negócios, franquias, tecnologia, contratos, gestão de projetos, produtos digitais e, agora, inteligência artificial.
Cada experiência acrescentou uma camada à profissional que me tornei. Acredito que essa seja uma das principais mudanças que estamos vivendo no mundo do trabalho: a carreira já não precisa ser necessariamente uma sequência de cargos dentro da mesma especialidade e pode se tornar, cada vez mais, uma construção de competências.
Os dados ajudam a dimensionar essa transformação. O Work Change Report 2025, do LinkedIn, afirma que 70% das competências utilizadas na maioria dos empregos deverão mudar até 2030. A mesma análise aponta que profissionais que estão entrando agora no mercado estão no caminho de ocupar, ao longo da carreira, o dobro de empregos daqueles que ingressaram 15 anos atrás.
Minha formação em jornalismo foi o primeiro capítulo dessa história. Aprendi a ouvir, investigar, fazer perguntas, organizar informações, identificar o que é relevante e transformar assuntos complexos em algo compreensível. Quando fui para operações comerciais e financeiras, precisei compreender processos, indicadores e resultados.
Depois de construir uma trajetória em negócios, tecnologia, gestão de projetos e produtos, estou investindo em novas formações: automação de processos com inteligência artificial, estudando temas como Python, LangChain e soluções baseadas em IA e ainda o comportamento humano por outra perspectiva, por meio da psicanálise e da terapia sistêmica familiar.
Pode parecer uma mudança ainda mais distante da minha trajetória profissional, mas, olhando para tudo o que construí até aqui, percebo que também existe uma conexão. Entender pessoas, relações, padrões de comportamento e a forma como nos posicionamos diante dos outros amplia o repertório que levo para o trabalho e para a vida.
Não porque pretenda abandonar tudo o que fiz até aqui, a ideia é acrescentar uma nova camada ao repertório que já construí e encontrar novas formas de aplicar o que aprendi ao longo dessa trajetória.
As habilidades essenciais para o futuro do trabalho
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, ajuda a dimensionar essa transformação. A estimativa é de que 39% das competências essenciais atualmente utilizadas pelos trabalhadores sejam transformadas ou se tornem desatualizadas até 2030.
Há um ponto especialmente interessante nesse cenário, enquanto novas competências ganham espaço, outras, essencialmente humanas, continuam relevantes. Pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, agilidade e liderança permanecem entre as competências consideradas essenciais para o futuro do trabalho.
Quando olho dessa maneira, minha trajetória deixa de parecer uma coleção de mudanças e passa a formar uma espécie de mapa. Às vezes, mudar de área é apenas levar tudo o que aprendemos para um lugar onde aquele conhecimento pode produzir um resultado diferente.
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| Atualizado em: 04/09/2026 13:50 | ||