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O consumidor mudou, e muitas empresas ainda não perceberam

A tecnologia está alterando a forma como consumimos, trabalhamos e nos relacionamos. O desafio não é resistir a essa mudança, mas entendê-la

Durante muitos anos, o varejo funcionou de forma relativamente simples. As indústrias produziam, distribuíam e expunham seus produtos em lojas, supermercados ou farmácias.

O consumidor identificava uma necessidade, procurava uma solução e realizava a compra. Esse modelo ainda existe, mas está deixando de ser o centro da dinâmica de consumo.

Estamos vivendo uma transformação que talvez seja a mais profunda desde o surgimento da internet comercial.

A forma como as pessoas descobrem produtos, tomam decisões e realizam compras mudou radicalmente. E continuará mudando nos próximos anos em uma velocidade ainda maior.

Hoje, ninguém acorda pela manhã pensando que precisa comprar um shampoo, um cosmético ou a maioria dos produtos que consome ao longo da semana.

No entanto, basta abrir uma rede social para ser impactado por conteúdos, recomendações, avaliações e demonstrações feitas em tempo real por pessoas com quem o consumidor se identifica. A chamada economia da atenção passou a ocupar um papel central na jornada de compra.

As redes sociais deixaram de ser apenas ambientes de relacionamento. Tornaram-se canais de descoberta, influência e venda. O entretenimento e o comércio passaram a coexistir no mesmo espaço. Em muitos segmentos, a compra já não começa quando surge uma necessidade. Ela começa quando surge uma conexão.

Essa mudança tem levado empresas de diversos setores a rever completamente as suas estratégias. Não se trata apenas de vender um produto, mas de construir relevância em um ambiente onde milhares de informações disputam a atenção das pessoas a cada minuto. Ao mesmo tempo, uma nova transformação já está em curso.

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de busca ou consulta para se tornar uma intermediária das decisões de consumo. Cada vez mais pessoas recorrem a assistentes digitais para obter recomendações sobre produtos, serviços, saúde, alimentação, beleza, viagens e investimentos.

Em um futuro muito próximo, a inteligência artificial não apenas recomendará produtos. Ela poderá participar diretamente do processo de compra, selecionando opções, comparando características e executando transações de forma automatizada. Isso exigirá uma adaptação profunda das empresas.

Se antes era necessário ser encontrado pelo consumidor, agora será necessário também ser compreendido pelos sistemas de inteligência artificial que o auxiliam em suas decisões.

Estamos diante de uma mudança estrutural na economia digital. E, como acontece em toda grande transformação, surgem oportunidades e desafios.

Empresas que conseguirem compreender essa nova dinâmica terão condições de ampliar mercados, ganhar escala e criar novas formas de relacionamento com seus clientes.

Por outro lado, modelos de negócio que permanecerem presos às lógicas tradicionais poderão enfrentar dificuldades crescentes para manter relevância.

A tecnologia está alterando a forma como consumimos, trabalhamos e nos relacionamos. O desafio não é resistir a essa mudança, mas entendê-la. Porque a transformação já começou. E ela será muito mais rápida do que imaginamos.

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Atualizado em: 22/06/2026 11:55