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A boa surpresa do retorno do investimento

Investimento correndo à frente da demanda é tudo o que uma economia precisa para crescer e simultaneamente evitar problemas inflacionários.

Uma das melhores surpresas do desempenho brasileiro na crise foi a recuperação do investimento. O País vivia desde 2007 uma onda de crescente inversão. Em uma parcela significativa esse processo já envolvia grandes projetos que visavam à demanda futura.

Investimento correndo à frente da demanda é tudo o que uma economia precisa para crescer e simultaneamente evitar problemas inflacionários.

A crise interrompeu o curso dessas iniciativas empresariais, mas não removeu a perspectiva favorável que nutre a decisão de investir, vale dizer a expectativa de um mercado em expansão. Por isso, assim que a economia mostrou sinais de superação da crise global, reapareceu a disposição de investir, de forma que a "febre" anterior de novos projetos foi resgatada pelos agentes econômicos.

O risco de interromper um processo como esse que não é fácil de ser desencadeado deveria merecer avaliação muito cuidadosa pelo governo antes de voltar a elevar a taxa de juros.

É intenso e generalizado o retorno ao investimento industrial, que já é capaz de estabilizar o nível de utilização da capacidade produtiva do parque industrial brasileiro em um nível confortável como 84%.

É forte, em especial, a disposição de investimento em infraestrutura e em habitação onde o governo deveria se preocupar em articular novas modalidades de financiamento.

Mas há lacunas. Na exportação, o câmbio e outros fatores que elevam o custo de produção doméstico impedem que decolem os projetos nessa área.

Na inovação, os investimentos irão aumentar à medida que o crescimento mostre maior sustentação, mas incentivos mais eficazes poderiam ajudar a antecipá-los.